Criada barreira sangue-cérebro artificial

Criada barreira sangue-cérebro artificial
A parte ativa do biochip neurovascular é desempenhada por células humanas vivas.
[Imagem: Dominic Doyle, Vanderbilt University]

Barreira hematoencefálica

A barreira hematoencefálica é uma rede de células especializadas que circundam as artérias e as veias do cérebro. Ela forma um sistema de proteção que deixa passar os nutrientes para as células cerebrais, mas impede a passagem de compostos potencialmente nocivos.

Entender o funcionamento dessa barreira é importante tanto para evitar a chegada ao cérebro de elementos patogênicos - associados com Parkinson ou Alzheimer, por exemplo - como para desenvolver medicamentos para doenças neurológicas, já que o fármaco precisa ser capaz de passar por essa barreira de proteção do cérebro.

O problema é que é muito difícil estudá-la, já que qualquer alteração - por mais cuidadosa que seja - pode ter efeitos desastrosos sobre os pacientes ou voluntários.

Agora, pesquisadores desenvolveram um dispositivo, construído a partir de células humanas, que consegue imitar com grande precisão o comportamento da barreira hematoencefálica.

A expectativa é que o aparelho seja usado para obter novos insights sobre a inflamação do cérebro, que pode ser causada por lesões ou por infecções, como meningite ou encefalite.

Unidade Neurovascular

O dispositivo, que os pesquisadores chamam de "Chip Unidade Neurovascular" é um sistema microfluídico - a tecnologia usada para fazer os biochips - que contém uma cavidade com 0,25 x 0,5 milímetro - um volume equivalente a um milionésimo do cérebro humano.

A cavidade é dividida por uma fina membrana porosa em duas partes: uma câmara superior, que funciona como o lado cerebral da barreira, e uma câmara inferior, que funciona como o lado sanguíneo ou vascular. Ambas as câmaras estão ligadas a microcanais separados que permitem testar os compostos químicos de forma independente.

Para criar uma barreira sangue-cérebro artificial, os pesquisadores primeiro viram o biochip de forma que a câmara vascular fique em cima, e então injetam células endoteliais humanas especializadas. Um fluxo de fluido constante através dos microcanais faz com que as células endoteliais se orientem paralelamente à direção do fluxo.

Esta orientação é uma característica chave das células endoteliais na barreira hematoencefálica humana. A seguir, é só injetar as moléculas a serem testadas pelos outros microcanais do biochip.

"Assim que conseguimos criar a barreira artificial, nós a submetemos a uma série de testes básicos e ela passou por todos com louvor. Isso nos dá a confiança para afirmar que desenvolvemos um modelo totalmente funcional da barreira sangue-cérebro humana," disse a professora Jacquelyn Brown, da Universidade de Vanderbilt.

O avanço foi descrito na revista Biomicrofluidics.


Ver mais notícias sobre os temas:

Biochips

Cérebro

Sistema Circulatório

Ver todos os temas >>   


  

A informação disponível neste site é estritamente jornalística, não substituindo o parecer médico profissional. Sempre consulte o seu médico sobre qualquer assunto relativo à sua saúde e aos seus tratamentos e medicamentos.
Copyright 2006-2017 www.diariodasaude.com.br. Conteúdo publicado sob licença de www.sciencetolife.com. Todos os direitos reservados para os respectivos detentores das marcas. Reprodução proibida.