Criada técnica para produzir anticorpos humanos em laboratório

Criada técnica para produzir anticorpos humanos em laboratório
Imagem de microscópio eletrônico mostra uma célula de plasma secretora de anticorpos gerada usando a nova técnica com nanopartículas.
[Imagem: Sanjuan Nandin et al., 2017]

Fabricação de anticorpos

Uma equipe internacional de cientistas desenvolveu uma técnica para fabricar rapidamente anticorpos humanos específicos em laboratório.

Esses anticorpos sintéticos prometem acelerar a produção de medicamentos para tratar uma ampla gama de doenças e facilitar o desenvolvimento de novas vacinas.

Anticorpos são produzidos pelos linfócitos, ou células B do nosso sistema imunológico, para combater as infecções por bactérias, vírus e outros agentes patogênicos invasivos.

Quando uma célula B individual reconhece um "antígeno" - uma molécula específica derivada de um agente invasor, ou patógeno -, ela se multiplica e cria células plasmáticas, que segregam grandes quantidades de anticorpos capazes de se ligar ao antígeno, afastando a infecção.

Anticorpos sintéticos

Os pesquisadores sonham há muito tempo em replicar esse processo em laboratório para produzir anticorpos específicos a partir de amostras de sangue de pacientes.

No entanto, além de encontrar um antígeno específico, as células B precisam de um segundo sinal para começar a se proliferar e se desenvolver em células plasmáticas. Este segundo sinal pode ser fornecido por fragmentos curtos de DNA, chamados oligonucleotídeos CpG, que ativam uma proteína dentro das células B chamada TLR9. Mas tratar as células B derivadas de pacientes com oligonucleotídeos CpG estimula todas as células B no tubo de ensaio, e não apenas a pequena fração capaz de produzir um anticorpo específico.

A equipe liderada por Sanjuan Nandin e Facundo Batista, do Instituto Francis Crick de Londres, conseguiu agora produzir anticorpos humanos específicos em laboratório tratando as células B coletadas de pacientes com pequenas nanopartículas revestidas com os oligonucleotídeos CpG e o antígeno apropriado. Com esta técnica, os oligonucleotídeos CpG são internalizados apenas nas células B que reconhecem o antígeno específico, e essas células são, portanto, as únicas nas quais a proteína TLR9 é ativada para induzir sua proliferação e desenvolvimento em células plasmáticas secretoras de anticorpos.

Tratamentos e vacinas

A equipe usou sua técnica para produzir vários antígenos bacterianos e virais, incluindo o toxoide tetânico e proteínas de várias cepas da gripe A.

Em cada caso, os pesquisadores conseguiram produzir anticorpos específicos de alta afinidade em apenas alguns dias. Alguns dos anticorpos anti-influenza gerados pela técnica reconheceram múltiplas estirpes do vírus da gripe e foram capazes de neutralizar sua capacidade de infectar células.

O procedimento não depende de os doadores terem sido previamente expostos a qualquer um destes antígenos através da vacinação ou por infecção. Por exemplo, os pesquisadores conseguiram gerar anticorpos anti-HIV a partir de células B isoladas de pacientes isentos de HIV.

A expectativa é que a nova técnica ajude a produzir rapidamente anticorpos terapêuticos para o tratamento de doenças infecciosas e outras condições como o câncer.

"Especificamente, [a técnica] deverá permitir a produção destes anticorpos dentro de um período de tempo mais curto in vitro e sem a necessidade de vacinação ou doação de sangue/soro de indivíduos recentemente infectados ou vacinados," disse Batista. "Além disso, nosso método oferece o potencial para acelerar o desenvolvimento de novas vacinas ao permitir uma avaliação eficiente de candidatos a antígenos-alvo".

A técnica foi descrita em um artigo publicado no The Journal of Experimental Medicine.


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