Dependência e passividade: você pode ter uma sem a outra

Dependência ativa e positiva

Quando se fala em uma pessoa dependente, o mais comum é que se pense em alguém carente e passivo.

É assim que muitos psicólogos e terapeutas pensam nessas pessoas também: a passividade é vista como sendo o elemento a chave.

Mas a dependência é de fato mais complexa e pode mesmo ter aspectos ativos e positivos.

É o que defende Robert Bornstein, autor de um artigo publicado na última edição da revista científica Current Directions in Psychological Science.

Vontade de impressionar

Bornstein foi levado a um conceito diferente de dependência por uma série de experimentos que reuniu pessoas dependentes e não-dependentes para discutirem assuntos sobre os quais ambas discordavam.

Seguindo a hipótese tradicional que liga dependência e passividade, seria de se esperar que a pessoa dependente acabaria concordando com seu debatedor.

Mas foi o contrário que aconteceu: em 70 por cento das vezes, foi a pessoa não-dependente que deu o braço a torcer e abriu mão de sua posição.

Isso demonstra, segundo o pesquisador, que o pressuposto dos psicólogos está errado, que as pessoas dependentes não são sempre passivas.

O motivo para esse resultado, concluiu ele, era que as pessoas dependentes queriam impressionar o professor que estava realizando o experimento.

Origem da dependência

"Meu entendimento, baseado nos estudos que fizemos até agora, é que o núcleo de uma personalidade dependente é uma percepção de si mesmo como um pessoa indefesa, vulnerável e fraco," diz Bornstein.

Ele acredita que isso muitas vezes resulta de pais superprotetores ou autoritários. Então, as pessoas dependentes decidem "que o caminho a seguir na vida é encontrar alguém forte e se agarrar a elas a qualquer custo."

Isso significa que elas querem impressionar as figuras de autoridade que podem ajudá-las ou protegê-las. Essas pessoas também tendem a manter relacionamentos a todo custo.

A parte surpreendente é que essa necessidade de impressionar os outros pode levar a um comportamento muito ativo, e não passivo.

Excesso de dependência

A dependência de figuras de autoridade também explica por que as pessoas dependentes são mais propensas a procurar um médico quando têm algum sintoma, e seguirem melhor um regime de tratamento ou um programa de perda de peso quando o médico lhes recomenda.

Outros estudos também concluíram que alunos com personalidade dependente têm melhores resultados na escola porque tendem a procurar uma figura de autoridade, o professor, e pedir ajuda.

Infelizmente, isso pode ir longe demais, e pessoas muito dependentes podem procurar o médico por qualquer coisa e pressionar os professores até a exaustão destes.

Outra descoberta surpreendente é que os homens dependentes são mais propensos a cometer violência doméstica. Eles ficam tão preocupados em manter o relacionamento que, "Quando estão desesperados, eles recorrem a táticas coercitivas," escreve o pesquisador.

Dependência saudável

Bornstein acredita que a nova forma de pensar sobre a dependência é útil para os cientistas e também para os terapeutas.

"Estou tentando induzir uma mudança fundamental na maneira que os psicólogos e terapeutas lidam com os pacientes dependentes", diz ele.

Tradicionalmente, o objetivo era fazer com que a dependência fosse embora.

"Minha opinião sobre isso é que a maneira mais eficaz para lidar com pacientes dependentes é transformar a dependência não-saudável em dependência saudável."


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