Descoberta no sistema imunológico atividade similar ao cérebro

Descoberta atividade quase cerebral no sistema imunológico
A descoberta de uma atividade similar à cerebral, desempenhada pelo sistema imunológico, deverá mudar o panorama das pesquisas sobre doenças autoimunes, incluindo Parkinson.
[Imagem: Stuart Hay/ANU]

Inteligência do sistema imunológico

Há muito tempo alguns cientistas mais visionários suspeitavam que o sistema imunológico teria sua própria inteligência, tamanha é sua capacidade de reagir a estímulos, selecionar os que representam uma ameaça e coordenar as ações necessárias para defender o organismo continuamente.

Agora, finalmente se demonstrou a existência de atividades neurais no sistema imunológico - uma atividade que a Dra. Ilenia Papa e sua equipe da Universidade Nacional Australiana chamam de "atividade neural similar ao cérebro".

A descoberta deverá levar as pesquisas biomédicas a um novo patamar e, mais diretamente, deverá permitir o desenvolvimento de melhores tratamentos para as doenças autoimunes e distúrbios de imunodeficiência, que coletivamente afetam milhões de pessoas em todo o mundo - isto inclui o Mal de Parkinson, que cada vez mais se acredita ser uma doença autoimune.

Cérebro imunológico

A equipe confirmou pela primeira vez que as células imunológicas humanas contêm "partículas" - moléculas - que possuem neurotransmissores, incluindo a dopamina, e que essas partículas desempenham um papel crucial nas respostas imunes.

"Anteriormente se pensava que essas partículas existissem apenas nos neurônios do cérebro. Acreditamos que elas são, potencialmente, um excelente alvo para as terapias para acelerar ou amortecer a resposta imune do corpo, dependendo da doença que você está lidando," disse Ilenia.

Controlar o sistema imunológico

Os neurônios funcionam com base em interações sinápticas e neurotransmissores, como a dopamina, que são pequenas moléculas transmitidas através das sinapses para levar sinais de uma célula para outra.

"De forma parecida com os neurônios, células T especializadas transferem dopamina para células B que proporcionam 'motivação' adicional para que as células B produzam os melhores anticorpos que conseguem para ajudar a eliminar uma infecção," disse Ilenia. "O corpo humano desenvolveu uma forma avançada de proteção contra bactérias, vírus e outros corpos estranhos, que se baseia no sistema imunológico.

"As respostas imunológicas são essenciais para reconhecer e defender os humanos contra substâncias que parecem estranhas e prejudiciais para o indivíduo.

"Esperamos usar estas descobertas para tornar a resposta imune a vacinas e infecções mais rápidas e mais produtivas, e mais lentas e menos ativas para condições autoimunes, onde o corpo se ataca," acrescentou a professora Carola Vinuesa, coautora do trabalho.

A pesquisa foi publicada na revista Nature.


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