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17/11/2013

Doenças negligenciadas são problema mundial

Com informações do MCTI

Doenças comuns em países subdesenvolvidos estão cada vez mais frequentes em nações com baixo histórico de pessoas contaminadas. De acordo com o biólogo Jaime Santana, da Universidade de Brasília (UnB), a vida moderna transforma-as num problema mundial.

"Hoje em dia as pessoas vão para todos os cantos do mundo. Os turistas também se contagiam. Nos Estados Unidos há muitos doentes com chagas, há muitos soldados voltando das guerras no Oriente Médio com leishmaniose. Onde tem guerra tem malária também", explica.

As três doenças citadas por Santana integram um grupo, delimitado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela entidade Médicos sem Fronteira (MSF), composto por 17 enfermidades causadas por agentes infecciosos, como bactérias e parasitas.

Esses males são batizados como doenças negligenciadas, pela falta de investimento em pesquisas e desenvolvimento (P&D) para medicamentos e prevenção.

Embora, segundo a OMS, afetem cerca de 1 bilhão de pessoas, concentradas em áreas rurais e favelas urbanas, a indústria farmacêutica pouco se interessa pelo tema por causa do baixo retorno financeiro do mercado.

Jaime Santana avalia que o Brasil tem a chance de sensibilizar governos e empresários quanto à importância de investimentos para combater o problema.

Brasil - Ciência

As doenças negligenciadas serão o tema do Seminário Brasil - Ciência, Desenvolvimento e Sustentabilidade, a ser realizado no Rio de Janeiro de 24 a 26 deste mês. Participarão do FMC empresários, pesquisadores e governantes de 65 países.

O cientista da UnB afirma que um dos objetivos do governo brasileiro é ressaltar a todos os participantes que as doenças negligenciadas são uma responsabilidade mundial.

"Esperamos que surjam parcerias tanto na formação de recursos humanos quanto em pesquisas. Precisamos de uma parceria público-privada para produzirmos novos medicamentos porque os que temos estão aquém da necessidade do mercado", diz.

Além de P&D na área, é preciso que os governos invistam em saneamento básico, estrutura de atendimento hospitalar e acesso ao médico para um diagnóstico rápido dessas doenças.

A OMS recomenda cinco estratégias de saúde pública para a prevenção e o controle das doenças negligenciadas: medicação preventiva; intensificação da gestão de casos; controle de vetores; provimento de água limpa, saneamento e higiene; e saúde pública animal.

Líder na produção de medicamentos

Para Jaime Santana, o Brasil tem tudo para ser líder nesse mercado de produção de medicamentos: "Temos uma rede de pesquisadores e laboratórios, mas que precisa ser incrementada. Somos referência na produção de conhecimento em como essas doenças acontecem, sintomas clínicos e em como esses patógenos causam essas doenças."

Na visão do biólogo, a lista de desafios para as pesquisas inclui investimento contínuo e formação de recursos humanos. Para dar capilaridade ao tratamento e à prevenção, ele destaca a necessidade de contar com pesquisadores e técnicos.

"Os técnicos são os que passam pelas casas e vão até às escolas para ensinar crianças a identificar vetores e sintomas dessas doenças. Esse é o melhor caminho no sentido da prevenção aliado ao caminho das pesquisas", explica. "Para termos pesquisadores precisamos de recursos para as pesquisas e capacitação profissional. Sem dinheiro para doenças negligenciadas eles vão para outra linha de pesquisa."

Em janeiro deste ano, a Organização Mundial da Saúde divulgou relatório Manter o Impulso para Superar o Impacto Global das Doenças Tropicais Negligenciadas. O estudo mostra que o mundo está mais perto da eliminação de algumas das enfermidades que compõem esse grupo.

A América registra o diagnóstico de 12 delas. Nos 35 países do continente americano, 34 eliminaram a lepra. O documento planeja a erradicação ou o controle global, regional ou nacional das 17 doenças entre 2015 e 2020.


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