Emoções negativas aumentam consumo de alimentos energéticos

Emoções negativas aumentam consumo de alimentos energéticos
"Curiosamente, as mulheres com peso normal apresentaram aumento significativamente maior do que as participantes com sobrepeso."
[Imagem: Marcos Santos/USP Imagens]

Emoções negativas

Problemas financeiros, discussões com o cônjuge, preocupações com os filhos e até morte na família e violência doméstica, levam a emoções negativas como angústia, tristeza, ansiedade.

Em alguns casos, notadamente entre as mulheres, essas situações levam a um aumento significativo na ingestão de alimentos energéticos.

Esta é a principal conclusão de um estudo realizado por Ana Carolina Moreira e Rosa Wanda Garcia, da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto.

Nessas situações, as pesquisadoras verificaram que as pessoas não escolhem alimentos doces saudáveis, como frutas, por exemplo, mas preferem os não saudáveis - na pesquisa elas identificaram uma preferência especial pelos brigadeiros.

Aliviar com guloseimas

Para as pesquisadoras, o resultado serve como um alerta para a população em geral.

"Como sempre temos algo para comer ao nosso alcance. Quando sofremos algum tipo de pressão, estresse, preocupação ou sentimentos que nos desagradam, é fácil recorrer ao consumo de alguma coisa, principalmente doces, para nos aliviar. Isso é preocupante porque, como estamos expostos a muitas tensões, passamos a incorporar essa prática de nos aliviar com guloseimas, o que pode levar ao excesso de peso e, com este, pode vir associada uma série de enfermidades crônicas, como diabetes e hipertensão," disse Ana Carolina.

A característica do comportamento, segundo o estudo, está na "mediação" das emoções negativas, interpostas entre o evento estressante e o comportamento de desajuste alimentar.

Magras comem mais

As voluntárias foram divididas em grupos com sobrepeso e com peso normal.

Ao ser comparado o consumo energético quando elas foram expostas a cenas neutras, idealizadas para não gerar emoção, o consumo energético das mulheres com sobrepeso foi 39% maior em relação àquelas com peso normal, mostrando que este grupo come mais que o grupo de mulheres com peso normal.

Contudo, quando as mulheres de ambos os grupos foram expostas às emoções geradas por problemas como questões financeiras e violência doméstica, entre outros, os dois grupos aumentaram significativamente o consumo energético, principalmente comendo doces não saudáveis.

"Curiosamente, as mulheres com peso normal apresentaram aumento significativamente maior do que as participantes com sobrepeso, em relação ao vídeo que visava não gerar emoção. Tanto o consumo energético foi maior, como o de doce não saudável. Elas aumentaram em 82% a ingestão de doce não saudável e 51%, o consumo energético, enquanto o grupo com sobrepeso aumentou 48% e 39%, respectivamente," relata Ana Carolina.

Para as pesquisadoras, uma possível explicação para esse resultado é que as pessoas com excesso de peso são mais vigilantes e podem estar mais alertas para situações em que podem se exceder.

O grande diferencial desse estudo, segundo Ana Carolina, foi ter avaliado a influência de emoções provocadas por problemas comuns do cotidiano: "Geralmente, os estudos experimentais abordam emoções muito específicas que não ocorrem com tanta frequência no dia-a-dia e que, portanto, não simulam condições de vida mais realistas."


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