Holanda liberta e pede desculpas a enfermeira condenada a prisão perpétua

Pena cancelada

A enfermeira holandesa Lucia de Berk, condenada à prisão perpétua em 2003 pela morte de sete pacientes, teve sua pena cancelada e recebeu desculpas públicas do governo da Holanda nesta quarta-feira.

Considerada até agora a "pior assassina em série da história da Holanda", ela foi presa em 2001 e passou mais de seis anos na prisão.

Experiência

Além de ser condenada pelas mortes, a enfermeira também foi considerada culpada de três tentativas de assassinato.

Berk, que já foi libertada, sempre afirmou ser inocente das acusações.

Ela receberá uma indenização do governo e escreveu um livro sobre sua experiência, que chega às livrarias holandesas nesta semana.

Azar estatístico

Os supostos assassinatos ocorreram entre 1997 e 2001 em três hospitais.

As suspeitas vieram à tona quando a polícia investigou o caso de um bebê chamado Amber - que, segundo toxicologistas, morreu de envenenamento.

Segundo o portal de notícias holandês Dutch News, os pacientes que até agora eram considerados vítimas de Berk eram todos bastante idosos ou doentes e teriam morrido de "causas médicas inexplicadas".

Na época do julgamento, a procuradoria afirmou que a enfermeira estava frequentemente em serviço quando as mortes aconteceram e baseou o caso contra ela em provas estatísticas, demonstrando que mais pessoas morreram quando Berk estava trabalhando do que quando ela não estava presente nos hospitais.

Condenação sem provas

Os corpos de suas supostas vítimas não foram examinados em procedimento de necrópsia, disse o Dutch News.

Porém, em 2008, a Suprema Corte da Holanda decidiu reabrir o caso, já que depois de algumas análises, houve dúvidas sobre se o bebê Amber teria ou não morrido de causas naturais.

No veredicto, anunciado nesta quinta-feira, a Justiça determinou que não era possível estabelecer se as supostas vítimas morreram como resultado de ação humana.

Erro dos especialistas

Segundo o procurador-geral da Holanda, Harm Brouwer, os especialistas que testemunharam contra a enfermeira erraram ao afirmar que ela havia matado os pacientes, que provavelmente faleceram de causas naturais.

Ele pediu desculpas publicamente pela condenação da enfermeira e disse que quer ajudar Berk a recuperar sua reputação.


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