Professor escolar pode tornar aula de música mais atraente

Professor escolar pode tornar aula de música mais atraente
O objetivo do estudo foi desenvolver caminhos para que, mesmo sem formação acadêmica em música, esses professores possam superar o método tradicional do ensino dessa disciplina na escola.
[Imagem: Ag.USP]

Formação do professor de música

Pesquisa da Faculdade de Educação (FE) da USP propõe novas maneiras de formar professores que trabalham com o ensino de música na Educação Infantil e no Ensino Fundamental I.

O objetivo do estudo foi desenvolver caminhos para que, mesmo sem formação acadêmica em música, esses professores possam superar o método tradicional do ensino dessa disciplina na escola.

A tese Música na escola: desafios e perspectivas na formação contínua de educadores da rede pública, de autoria de Iveta Maria Borges Ávila Fernandes e orientada pela professora Heloisa Dupas de Oliveira Penteado, da FE, trabalhou com as escolas públicas municipais de Mogi das Cruzes.

"Os professores tinham vontade de ensinar, mas as aulas eram no máximo com algum canto conjunto", afirma. Iniciaram-se, então, por iniciativa da própria Secretaria Municipal de Educação da cidade, cursos com o objetivo de ensinar aos professores um pouco de música e, principalmente, como lecioná-la sob novas perspectivas.

Linguagem musical

O ensino tradicional em escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental I consiste, basicamente, em cantar músicas que não são de autoria própria, sem trabalhar o desenvolvimento da linguagem musical. A maneira repetitiva como a aula costuma ser ministrada e o raro uso de instrumentos e do aspecto lúdico, tornam o aprendizado menos atraente para a criança.

De acordo com o estudo, a superação do modelo tradicional pode acontecer com a incorporação de novas formas de trabalho que incluam mais atividades lúdicas, como jogos, brincadeiras e atividades didáticas em grupo. "A proposta é cantar, tocar, improvisar, compor, interpretar e apreciar", explica Iveta.

De acordo com ela, se uma criança pode aprender a ler e escrever, também pode aprender a compor. "É claro que nem todos serão Machado de Assis, assim como nem todos serão Villa Lobos, mas é possível que a criança desenvolva sua linguagem musical e a aula se torne mais eficaz", completa.

Formação profissional

Para Iveta, a formação dos professores é o principal entrave ao desenvolvimento de novos procedimentos didáticos no ensino de música. "Em geral professores de Educação Infantil e Fundamental I cursaram magistério ou pedagogia. Neste último, é exceção cursos que têm a disciplina Arte contendo música como linguagem."

A pesquisa da FE não sugere uma formação técnica do professor, mas propõe que ele se desenvolva profissionalmente junto a seus pares, com a intermediação de um especialista formador de professores, que atue direta ou indiretamente junto a equipe. Também é estimulada a busca de elementos, fora do ambiente escolar, para ampliar seu conhecimento e vivência musical. "O professor deve ser pesquisador e, enquanto pesquisa, ele também atua nas aulas. Assim, a qualidade de sua atuação melhora", pondera Iveta.

Nesta direção, uma das propostas é a de que o professor assista a espetáculos musicais e shows, por exemplo, como parte de seu trabalho. Por outro lado, também é necessária uma fundamentação teórica. Iveta alerta: "Prática pela prática não dá. Deve haver alguma base teórica por parte do professor."

Além disso, propõe-se que os professores retomem, em suas aulas, a cultura brasileira da infância, as inúmeras brincadeiras de tradição. Instrumentos fáceis de trabalhar, como clavas, ganzás e xilofones, são sugeridos, bem como a utilização de músicas populares e eruditas.

Iveta também ressalta a importância da atuação conjunta do educador e da direção da escola. "Deve haver uma parceria entre diretores, coordenadores e docentes. Sem o respaldo da direção, o professor sozinho não consegue pôr em prática seu projeto pedagógico de música, que deve ser articulado ao Projeto Político Pedagógico da escola."

Ensino obrigatório de música

O ensino musical ao longo da Educação Básica (Educação Infantil ao Ensino Médio) tornou-se obrigatório com a lei 11.769, sancionada em 2008 e que deve entrar em vigor em todas as escolas no 2º semestre de 2011. Tal lei é vista de maneira positiva por Iveta, já que a educação musical proporciona ao aluno não só o aprendizado da linguagem musical em si, mas ganhos em diversas áreas do conhecimento.

Há, por exemplo, um desenvolvimento melódico e rítmico. O lado emocional, afetivo e racional da criança, bem como sua percepção auditiva, são estimulados e existe um ganho em aprender a trabalhar em conjunto.

"Não adianta que a criança faça sua parte sem importar-se com a parte do outro. Ao fazer música grupalmente ela aprende a trabalhar em grupo mesmo, pois depende dos outros e do próprio trabalho para que o todo saia bem feito", destaca Iveta.


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