Entidades querem que comida seja controlada como cigarro e álcool

No verso de um pacote de salgadinhos, uma imagem estampa os malefícios à saúde causados pela obesidade, à semelhança do que já existe nos maços de cigarro.

Esse tipo de embalagem ainda não existe no mercado, mas faz parte de um conjunto de reivindicações de entidades de promoção da saúde junto a fabricantes de alimentos e bebidas.

Duas delas, a Consumers International (que organiza campanhas internacionais em defesa do consumidor) e a Federação Mundial de Obesidade, lançaram nesta semana uma convocatória global para que os governos regulem esse setor de forma semelhante ao que já fazem com a indústria do cigarro.

Na avaliação de representantes dessas organizações, a obesidade oferece hoje mais riscos à saúde humana do que o tabaco.

Dados mostram que os quilos extras estão entre as três principais causas de mortes no mundo, ao lado do tabagismo e do álcool.

Em 2012, pesquisadores lançaram um apelo para que o consumo de açúcar fosse controlado como o cigarro e o álcool.

Um mundo de gordinhos

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 35% dos adultos acima de 20 anos se encontram acima do peso, enquanto que 11% são considerados obesos. Os dados são de 2008.

No Brasil, estatísticas recentes do Ministério da Saúde apontam que pouco mais da metade da população (50,8%) tem sobrepeso, sendo 17% obesos.

Segundo as entidades, governos ao redor do mundo deveriam criar um arcabouço regulatório global para a indústria de alimentos e bebidas, nos mesmos moldes do que já existe para a venda de cigarros.

Tanto a Consumers Internacional quanto a Federação Mundial de Obesidade afirmam que as mortes globais devido à obesidade e ao sobrepeso aumentaram de 2,6 milhões em 2005 para 3,4 milhões em 2010.

Medidas práticas

Entre as principais razões para o excesso de peso, estão o sedentarismo e a manutenção de hábitos alimentares pouco saudáveis, como a ingestão de lanches rápidos (fast-food).

As novas regras incluiriam, de acordo com as entidades, uma redução dos níveis de sal, de gordura saturada e de açúcar nos alimentos, além de uma melhoria na comida servida nas escolas e hospitais.

As organizações também reivindicam um controle mais rígido da propaganda de alimentos e uma maior promoção por parte dos governos de hábitos saudáveis de alimentação.

A Consumers International e a Federação Mundial de Obesidade acrescentaram que as gorduras trans, um dos maiores vilões da obesidade, devem ser abolidas de todos os alimentos e bebidas nos próximos cinco anos.

Para que essas ideias saiam do papel, as entidades sugerem que os governos revejam os preços dos alimentos, introduzam impostos, alterem os padrões de regulação existentes e incentivem pesquisas na área médica.

Segundo Luke Upchurch, da Consumers International, a indústria de alimentos deveria ser tratada de forma semelhante à do tabaco.

Ele afirmou estar confiante de que Brasil e Noruega podem liderar a iniciativa em prol de uma maior regulação da indústria de alimentos. Ambos os países restringiram a publicidade direcionada ao público infantil.

"A recente decisão do Brasil é um bom exemplo nesse sentido", afirmou Upchurch.

No entanto, associações de anunciantes, emissoras, revistas e de empresas de licenciamento e fabricantes de produtos infantis criticam a medida e dizem não reconhecer a legitimidade constitucional do Conanda para legislar sobre publicidade e para impor a resolução tanto às famílias quanto ao mercado publicitário.


Ver mais notícias sobre os temas:

Ética

Consumo Responsável

Obesidade

Ver todos os temas >>   


  

A informação disponível neste site é estritamente jornalística, não substituindo o parecer médico profissional. Sempre consulte o seu médico sobre qualquer assunto relativo à sua saúde e aos seus tratamentos e medicamentos.
Copyright 2006-2016 www.diariodasaude.com.br. Conteúdo publicado sob licença de www.sciencetolife.com. Todos os direitos reservados para os respectivos detentores das marcas. Reprodução proibida.