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15/03/2013

Epigenética: experiências de vida deixam marcas nos filhos

Redação do Diário da Saúde
Epigenética: experiências de vida deixam marcas nos filhos
Quando Darwin publicou seu livro sobre a evolução, A Origem das Espécies, a teoria de Lamarck da transformação foi para o monte de cinzas da história, onde ficou injustiçada por quase 150 anos.[Imagem: MPG]

Evolução de Lamarck

No século 18, Jean-Baptiste Lamarck propôs que os pescoços das girafas se alongaram como consequência do esforço acumulado, ao longo de gerações, para alcançar as folhas que ficam altas demais.

Este ponto de vista da evolução foi abandonado com o advento das teorias genéticas para explicar a transmissão da maioria dos traços importantes e muitas doenças através das gerações.

Charles Darwin venceu o debate e Lamarck foi esquecido.

No entanto, há muito tempo existe se sabe que grandes acontecimentos da vida, como traumas psicológicos, não só têm efeitos sobre os indivíduos que experimentam diretamente esses eventos, mas também têm efeitos sobre seus filhos.

Problemas semelhantes foram relatados no contexto de distúrbios do humor e toxicodependência.

Até recentemente, esses efeitos transgeracionais eram atribuídos a mudanças na maneira como os pais tratam seus filhos, ou à reação das crianças para aprender a partir da história dos pais.

Transmissão sem genética

Na edição mais recente da revista científica Biological Psychiatry, pesquisadores suíços da Universidade de Zurique e do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, liderados pela Dra Isabelle Mansuy, discutem como o surgimento do campo da epigenética introduziu um novo componente nessa discussão - a transmissão transgeracional de alterações na regulação da expressão gênica.

"A questão da herança de traços adquiridos tem intrigado biólogos e médicos há décadas. Embora tenha sido observada de forma consistente já no século 18, agora há evidências suficientemente fortes e convincentes para que possamos firmemente aceitar isso," disse Mansuy.

A transmissão genética de características reflete as alterações na estrutura genética, isto é, nos pares de bases que formam o DNA.

A epigenética, por outro lado, envolve processos celulares que não alteram a estrutura do DNA.

Em vez disso, os mecanismos epigenéticos, incluindo a metilação do DNA ou os resíduos específicos de proteínas histonas, influenciam a extensão com que os genes individuais são convertidos em RNA mensageiro.

Essas alterações podem ocorrer em qualquer célula do corpo, mas quando ocorrem nas células germinativas (esperma ou ovos) as alterações podem ser passadas para a próxima geração.

As mudanças na estrutura do DNA são eventos aleatórios que adquirem sentido funcional no contexto da "seleção natural" de Darwin.

Em contraste, as reações epigenéticas a ambientes específicos são projetadas para permitir que o organismo lide com esse contexto.

Quando essas características são passadas para a próxima geração, é como se o recém-nascido chegasse preparado para esse ambiente específico.

Os problemas surgem quando os processos epigenéticos dão origem a características que não são adaptativas para os descendentes, tais como uma reatividade elevada, ou quando o ambiente mudou.

Mudança de paradigma

Parece ser a hora do paradigma genético ceder espaço para o paradigma epigenético.

O artigo, longamente comentado pelos editores da revista, mostra a dificuldade para que uma teoria científica dê lugar a uma nova teoria com maior poder explicativo.

Na verdade, há inúmeros estudos demonstrando os mecanismos epigenéticos de transmissão de características entre gerações:


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