O erro de Chomsky: gramática universal inata falha em experimento

O erro de Chomsky: gramática universal inata falha em experimento
A teoria da gramática universal de Chomsky considera que todas as crianças aprendem a língua igualmente bem e que deve haver uma estrutura básica comum a todas as línguas que de alguma forma está "impressa" no cérebro humano. A prática disse outra coisa.
[Imagem: Northumbria]

Teoria da gramática universal

Uma pesquisa sobre linguística, feita por cientistas da Universidade de Northumbria, no Reino Unido, sugere que uma proporção significativa de falantes nativos de inglês é incapaz de entender algumas frases básicas do idioma.

Os resultados - que contrariam o pressuposto largamente aceito de que todas as pessoas têm uma capacidade inata de usar a gramática - podem ter implicações significativas para a educação e a comunicação, além de para a própria teoria linguística.

Teoria de Chomsky

A suposição de que todos os participantes de uma comunidade linguística compartilham a mesma gramática é um princípio central da teoria da gramática universal de Noam Chomsky.

A teoria considera que todas as crianças aprendem a língua igualmente bem e que deve haver uma estrutura básica comum a todas as línguas que de alguma forma está "impressa" no cérebro humano.

A pesquisa da Dra. Ewa Dabrowska, ao contrário, mostrou que elementos básicos da gramática do inglês não são dominados por alguns falantes nativos da língua.

Gramática parcial

A pesquisa partiu do princípio de que todo adulto falante nativo de inglês seria capaz de compreender o significado de uma frase, como: O soldado foi atingido pelo marinheiro.

A Dra Dabrowska e seu colega James Street avaliaram uma série de adultos, alguns dos quais eram estudantes de pós-graduação, e outros que abandonaram a escola na idade de 16 anos.

Foi pedido a todos os participantes que identificassem o significado de uma série de frases simples, ativas e passivas, bem como sentenças que continham o qualificador universal "todo".

Conforme o teste avançava, os dois grupos mostraram desempenhos muito diferentes. Uma grande proporção dos que tinham abandonado a escola aos 16 anos começou a cometer erros. Alguns participantes não foram capazes de se sair melhor do que o mero acaso, como se estivessem simplesmente "chutando" a resposta.

"Essas descobertas são revolucionárias, porque durante décadas o consenso teórico e educacional tem sido sólido. Independentemente do nível de escolaridade ou do idioma, [segundo a teoria] todos deveríamos ser igualmente bons em gramática, no sentido de sermos capaz de utilizar pistas gramaticais para compreender o significado das frases," comenta a Dra. Dabrowska.

Conhecimento e inteligência

Os pesquisadores examinaram outras explicações para seus resultados, como as limitações da memória de trabalho, e até mesmo os chamados "testes de sabedoria", mas concluíram que esses fatores não-linguísticos são irrelevantes.

Eles também enfatizam que os testes foram construídos de forma a suprimir as naturais diferenças de inteligência entre os participantes.

"É claro que algumas pessoas são melhor alfabetizadas, com um vocabulário maior e uma maior exposição a construções literárias de alta complexidade. No entanto, em um nível fundamental, todos em uma comunidade linguística deveriam compartilhar o mesmo núcleo da gramática, da mesma forma que, em condições normais de desenvolvimento, todos podemos andar," explica a pesquisadora.

Voz passiva

Os resultados mostraram que uma grande proporção de pessoas com baixo nível de escolaridade tem dificuldades com o entendimento da voz passiva.

Se uma parte significativa da população não entende frases na voz passiva, então anúncios e outras formas de informação escrita devem ser repensadas e reescritas para serem efetivas, assim como estratégias de alfabetização devem ser mudadas.

"E o que é mais importante, a existência de diferenças individuais substanciais no aprendizado da língua nativa é algo altamente problemático para um dos argumentos mais aceitos para a teoria da gramática universal inata: o suposto 'fato' de que todos os falantes nativos de uma língua convergem essencialmente para a mesma gramática. Nossa pesquisa mostra que isto não acontece," conclui Dabrowska.


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