Plantas medicinais contra diabetes são avaliadas por cientistas

Ervas medicinais contra diabetes são avaliadas por cientistas
Cristine Amarante e Fábio Bruno de Souza descobriram que a planta medicinal conhecida como "insulina vegetal" é rica em flavonoides, o que pode explicar sua ação antidiabética.
[Imagem: Raimundo J.R. Batista]

Plantas para diabetes

Ervas popularmente receitadas para o combate ao diabetes estão prestes a ter sua eficácia comprovada pela ciência.

Uma pesquisa do Laboratório de Análises Químicas do Museu Paraense Emílio Goeldi mediu os teores de flavonoides das quatro espécies de plantas medicinais mais ofertadas aos frequentadores do mercado Ver-o-Peso, em Belém (PA).

O estudo verificou que, pelo menos em uma delas, os níveis de flavonoides superam os encontrados no chá preto, e estão entre os maiores já encontrados.

Flavonoides

Os flavonoides podem preservar a função das células que produzem a insulina, hormônio que controla a taxa de açúcar no sangue.

Esses compostos são encontrados em frutas, vegetais e bebidas como o vinho e o chá.

"Como já se sabe, [os flavonoides] apresentam alta capacidade antioxidante e atuam como 'varredores' de radicais livres", explica a professora Cristine Amarante, que orientou o trabalho realizado por Fábio Bruno de Souza.

Os radicais livres - átomos e moléculas originados como subprodutos do metabolismo - têm funções importantes para o organismo, mas também estão associados ao envelhecimento e a doenças como câncer.

Conhecimentos tradicionais e científicos

A pesquisadora avalia que há uma aproximação real entre os conhecimentos tradicionais e científicos, e um interesse comercial crescente pelas riquezas naturais amazônicas.

"O difícil acesso aos centros de atendimento hospitalares, exames e medicamentos pela população carente, associados com a fácil obtenção e a grande tradição do uso dessas plantas, contribuem para sua utilização, principalmente na região amazônica, onde as condições sociais são precárias para grande parte da população", acrescenta.

A pesquisa constatou algumas diferenças entre as recomendações das erveiras (vendedoras de ervas) para o preparo dos chás, tanto no método - infusão ou decocção - como no tempo.

"Os testes comprovaram nossa hipótese, de que essas ervas contêm apreciáveis teores de flavonoides, sendo, portanto, boas fontes da substância. Mais do que isso: a que é conhecida como insulina - justamente por esse uso - mostrou teores acima até do chá preto, que é uma bebida conhecida por apresentar uma das maiores concentrações desses compostos. Para essa erva, o tempo de aquecimento por 15 minutos foi o modo de preparo que mais liberou flavonoides.

"As outras, embora tenham apresentado teores de flavonoides inferiores aos da insulina, mostraram valores comparáveis aos encontrados no vinho tinto. Porém, para estas o tempo de aquecimento acima de 10 minutos causa uma redução do teor. Agora vamos repetir a amostragem. Para ir mais fundo, dependemos da aquisição de equipamentos de ponta, que permitam identificar os flavonoides presentes. Entramos com projetos em alguns editais para isso," explicou a pesquisadora.

Próximos passos

O próximo passo será tentar identificar os flavonoides presentes, priorizando a planta conhecida como "insulina vegetal" (Cissus sicyoides) - a espécie que apresentou o melhor resultado e que é conhecida por esse nome em função do uso antidiabético.

Os pesquisadores estão estudando ainda as plantas pata-de-vaca (Bauhinia variegata), mira aruíra (Salacia impressifolia) e pedra de ume caa (Myrcia sphaerocarpa).


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