Estímulos elétricos no cérebro melhoram habilidade matemática

A aplicação de estímulos elétricos de alta frequência no cérebro poderia aumentar as habilidades matemáticas de uma pessoa por até seis meses, segundo pesquisadores da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha.

Essas foram as conclusões de um estudo publicado na revista Current Biology que defende que o efeito foi obtido por meio de uma técnica conhecida Estimulação Transcraniana por Ruído Difuso - (ETRD, ou TRNS na sigla em inglês: "transcranial random noise stimulation").

Segundo os pesquisadores, a técnica poderia ajudar quem sofre de doenças neurodegenerativas, teve um acidente vascular cerebral ou tem dificuldade de aprendizagem.

De acordo com os pesquisadores de Oxford, os portadores de um distúrbio de aprendizagem conhecido como discalculia, que dificulta a realização de cálculos aritméticos, estão entre os que poderiam se beneficiar dessa nova técnica de estimulação cerebral.

Estimulação Transcraniana

A ETRD (Estimulação Transcraniana por Ruído Difuso) consiste na aplicação de estímulos elétricos em áreas específicas do cérebro por meio de eletrodos colocados sobre o couro cabeludo. De acordo com os coordenadores do estudo, trata-se de um método relativamente novo, indolor e não invasivo.

Para testar os efeitos da técnica, 51 estudantes da Universidade de Oxford foram divididos em dois grupos e, por cinco dias, submetidos a exames de aritmética que testaram sua habilidade de fazer cálculos e memorizar números. Um dos grupos recebeu estimulação por ETRD e o outro não.

Não houve diferença significativa no desempenho dos dois grupos logo no início do estudo, mas com a ETRD, o primeiro grupo acabou melhorando sistematicamente sua performance ao longo dos cinco dias.

Além disso, seis meses mais tarde, quando os participantes do estudo foram avaliados novamente, o grupo que havia sido submetido ao tratamento de ETRD continuou a ter "um desempenho superior".

"(Nos indivíduos que receberam o estímulo), o desempenho em ambas as tarefas de cálculo e de memorização melhorou ao longo desses cinco dias - e as melhorias foram mantidas por até seis meses após o experimento", disse Roi Cohen Kadosh.

"Também fizemos imagens dos cérebros (dos participantes do estudo) que sugerem que a ETRD aumenta a eficiência com a qual algumas áreas cerebrais usam seus suprimentos de oxigênio e nutrientes."

Restrições

Kadosh diz que é importante identificar eventuais desvantagens desta e de outras formas de estimulação elétrica transcraniana, garantindo, por exemplo, que estimular uma capacidade cognitiva não cause danos em outras.

Para Michael Proulx, professor de psicologia na Universidade de Bath, os resultados do estudo são de grande importância e podem ter um impacto prático significativo.

"(Tal estudo) reforça a ideia de que a estimulação do cérebro pode contribuir para o treinamento cognitivo. (A ETRD) não se trata de uma panaceia que faz o cérebro funcionar melhor de maneira geral, mas sim de uma técnica que ajuda a reforçar os esforços de aprendizagem", diz Proulx.


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