A morte da eutanásia

A morte da eutanásia
Associação de médicos defende o fim do uso da palavra eutanásia, trocando-a pela descrição precisa dos procedimentos adotados, juntamente com o esclarecimento dos prováveis resultados.
[Imagem: Wikimedia]

Viver ou morrer, com dignidade

É hora de descartar a palavra eutanásia, porque ela mistura ideias e valores que confundem o debate sobre a morte.

Esta é postura firme defendida pela Associação Médica do Canadá e exposta nesta semana no periódico da instituição.

"O debate sobre o fim da vida parece particularmente sobrecarregado pela confusão sobre o termo 'eutanásia'", escreve o Dr. Ken Flegel. "Ambos os lados usam-no para reforçar seu ponto de vista ideológico: um lado quer dizer assassinato, o outro quer dizer misericórdia; o direito à vida versus o direito de morrer com dignidade; egoísmo versus compaixão."

O que é eutanásia

O termo eutanásia vem do grego eu (bem, fácil) e thanatos (morte) e foi cunhado em 1646 para significar uma morte suave e fácil.

Uma nuance foi introduzida em 1742 para referir-se aos meios de se atingir uma morte assim e, em 1859, foi dado ao termo a conotação de uma ação para induzir uma morte.

Os dicionários modernos têm uma grande variedade de definições, mas todas elas implicam o mesmo significado, uma ação intencional para provocar a morte de alguém que está sofrendo.

Cuidados paliativos

"O significado amplo de eutanásia tem inadvertidamente incorporado um conjunto de ações que também envolvem o alívio dos sintomas em pessoas que estão morrendo," escrevem os autores.

"Por exemplo, a administração de narcóticos para aliviar a dor em pacientes com câncer e a adição de sedativos para dar conforto e minimizar a agitação são cuidados compassivos, mesmo quando as quantidades necessárias aumentam a probabilidade de morte. Pode-se argumentar que, em tais circunstâncias, a morte torna-se um efeito colateral aceitável de um cuidado paliativo. Mas, a nosso ver, não é eutanásia."

Papel dos médicos frente à eutanásia

Segundo a Associação, os médicos podem ajudar nessa discussão não utilizando-se do termo eutanásia para se referirem às ações tomadas para auxiliar pacientes terminais e, em vez disso, podem nomear e definir claramente cada ação, bem como suas possíveis repercussões.

"Como médicos, nós devemos promover o debate honesto, ajudar na definição de termos e de ações, evitar polarizar ainda mais este importante debate com os nossos próprios valores e ideologias e ajudar a educar o público para aumentar o engajamento nesta importante questão social," concluem os autores.

"Então, o próprio termo 'eutanásia' poderá experimentar sua própria morte suave," defendem eles.


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