Exame de medicina reprova 56% dos estudantes em São Paulo

Médicos despreparados

Mais da metade (56%) dos 621 estudantes de medicina que participaram do exame do Conselho Regional do Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) este ano foram reprovados.

A prova avalia anualmente desde 2005 o desempenho dos estudantes do sexto ano de medicina de escolas de São Paulo. O exame não é obrigatório.

Para o coordenador do exame, Bráulio Luna Filho, o resultado é "decepcionante" e sinaliza deficiências no ensino médico.

"É uma decepção você ter pessoas que depois de seis anos não conseguem ser aprovadas em uma prova que é de nível médio para fácil. O exame exige o mínimo que é preciso saber para ser médico, resolver coisas simples", explicou. No ano passado, a reprovação foi ainda maior: 61%.

Advogado precisa, médico não

Ao contrário do exame da Ordem dos Advogados do Brasil, que é pré-requisito para que o estudante de direito possa atuar como advogado, a prova do Cremesp não é necessária para habilitar o médico ao exercício profissional.

Cerca de 25% dos formandos participam do teste, o que para o Cremesp é considerado "estatisticamente relevante". O conselho defende que ele seja obrigatório e tenha abrangência nacional.

"Há projetos de lei no Congresso Nacional para fazer essa mudança, mas o lobby das escolas médicas é muito forte. É preciso entender que essa é uma questão de saúde pública", afirma Luna Filho.

Segundo ele, o exame foi instituído depois que começou a crescer o número de denúncias ao Conselho de Medicina. "No início queríamos fazer um estudo para descobrir porque isso acontecia. Visitamos os locais onde estão os alunos e vimos que as condições de ensino são muito ruins", diz.

Medicina precária

Luna defende mais rigor na autorização desses cursos pelos ministérios da Saúde e da Educação. "O MEC começou a endurecer a fiscalização com a visita de uma comissão de especialistas às instituições. Mas isso não é uma política de estado, é de um ministro", aponta.

O processo de supervisão de medicina do MEC já fechou 690 vagas em 17 cursos de medicina de todo o país. Eles tiveram resultados insatisfatórios em avaliações do ministério ou foram denunciados à pasta pelas más condições do ensino.

Entre os principais problemas verificados pela supervisão estão corpo docente com baixa titulação, inadequações do curso às diretrizes curriculares de medicina, falta de espaço para prática, além de laboratórios e equipamentos precários.


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