Avaliação nutricional pode ser feita com exame da unha

Exame das unhas permite fazer avaliação nutricional
A avaliação nutricional por meio do exame das unhas foi desenvolvida por pesquisadores brasileiros.
[Imagem: Marcos Santos/USP Imagens]

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Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma forma nova e inusitada para avaliar a nutrição humana: um exame da unha.

"O estudo se valeu das unhas devido à sua estrutura física, que é composta de queratina, proteína rígida que a forma e reflete a ingestão alimentar dos últimos quatro a seis meses de um indivíduo", explicou o professor Luiz Antônio Martinelli, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), instituto ligado à USP.

Os pesquisadores analisaram a composição isotópica das unhas de 273 pessoas que participaram desse levantamento, pertencentes a seis classes sociais distintas.

"Então, a partir da utilização dos isótopos de carbono, foi possível decodificar o tipo de dieta praticado por cada uma das classes pesquisadas", disse Martinelli.

A descoberta cria uma nova ferramenta para fazer avaliações nutricionais da população, hoje basicamente restrita a levantamentos socioeconômicos ou a dados estatísticos.

Diferenças sociais e alimentares

O estudo mostrou na prática que as diferenças alimentares entre as classes sociais não são tão grandes quanto se pensava.

Os exames da unha comprovaram que não há uma diferença significativa entre as classes de menor poder aquisitivo e as de alto poder aquisitivo, que substancialmente consomem os mesmos produtos.

Exame das unhas permite fazer avaliação nutricional
A única diferença nutricional entre as classes sociais foi identificada na classe F, que consome principalmente arroz e feijão.
[Imagem: Marcos Santos/USP Imagens]

"Podemos ter vários tipos de biscoito ou refrigerante no supermercado, uns mais baratos e outros mais caros, mas se avaliarmos esses produtos por seus constituintes básicos serão os mesmos, ou seja, a composição de isótopos estáveis será similar," disse o pesquisador.

Os exames das unhas indicaram alto consumo de carne bovina, pão, refrigerantes e derivados de leite pelas classes de maior poder econômico, e um alto consumo de óleo de soja, arroz e açúcar pelas classes de poder aquisitivo menor. "Porém, a maior discrepância encontrada entre as classes se deu entre os integrantes da F, que concluímos não consumir carne e laticínios, tendo uma alimentação composta basicamente por arroz e feijão", concluiu.

Segundo Martinelli, provavelmente a falta de diferença estatística entre a maioria das classes sociais, com exceção da F, pode ser atribuída ao fato de que todos os participantes da pesquisa são residentes urbanos, expostos a uma dieta de supermercado, na qual todo item alimentício é de fácil acesso e a única restrição ao consumo é econômica, não um problema de acessibilidade.


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