Excesso de preocupação atrapalha tratamento do câncer de mama

Preocupação prejudicial

Algumas mulheres com câncer de mama em estágio inicial são vulneráveis ao excesso de preocupação com a recorrência do câncer.

O estudo indica que se preocupar com a recorrência do câncer pode comprometer o tratamento e a qualidade de vida da paciente.

Graças aos recentes avanços da medicina, a maioria das mulheres que são diagnosticadas com câncer de mama em estágio inicial têm um baixo risco de recorrência do câncer.

Apesar de um futuro otimista, muitas dessas mulheres manifestam o temor de que o câncer volte no futuro, mesmo antes de iniciar os tratamentos.

Informações claras

Embora alguma preocupação com a recorrência do câncer seja compreensível, para algumas mulheres essas preocupações podem ser tão fortes que acabam tendo um impacto sobre a escolha dos tratamentos, sobre a frequência com que procuram atendimento e sobre sua qualidade de vida depois que o câncer está curado.

A equipe da Dra. Nancy Janz, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, descobriu que as mulheres com maior facilidade de compreender a informação clínica que lhes foi apresentada tiveram menos sintomas da preocupação excessiva.

Aquelas que receberam cuidados mais coordenados também relataram menos preocupação com o retorno do câncer.

Pacientes menos aculturadas - como migrantes com menor capacidade de entendimento do idioma - mostraram-se particularmente vulneráveis aos altos níveis de preocupação, mostrando, segundo os pesquisadores, que o perfeito entendimento das explicações dadas pelo médico é essencial para a tranquilidade das pacientes.

Outros fatores que foram associados com mais preocupação com a volta da doença foram menor idade, maior intensidade de dor e cansaço, e pacientes submetidas a tratamento com radiação.

Excesso de preocupação

"O nível de preocupação com a volta da doença muitas vezes não é alinhado com o risco real de recorrência do câncer," disse a Dra. Janz. "Nós precisamos compreender melhor os fatores que aumentam a probabilidade de que as mulheres se preocupem e desenvolver estratégias e encaminhamentos adequados para ajudar as mulheres com excesso de preocupação."

A médica destaca que os programas para ajudar as mulheres devem ser culturalmente sensíveis e adaptados às diferenças das doentes quanto ao estilo de comunicação, apoio social e estratégias de enfrentamento.

Ela também enfatizou a importância da adequada apresentação das informações sobre riscos para as mulheres com câncer de mama, para que elas possam compreender seus próprios riscos e participar efetivamente nas decisões de tratamento.


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