Fabricantes de medicamentos são acusadas de subornos rotineiros na China

Representantes de vendas de indústrias multinacionais do setor farmacêutico que operam na China revelaram à BBC que as empresas pagam propinas a profissionais da saúde de forma rotineira no país com o objetivo de aumentar suas vendas.

A denúncia foi feita por cinco representantes de vendas dessas companhias. Nenhum deles quis se identificar, alegando temer represálias, como a perda do emprego.

Um dos vendedores ouvidos pela BBC afirmou que a multinacional onde trabalha pagou cerca de mil dólares (cerca de R$ 2,3 mil) para colocar seus produtos de volta às prateleiras de um hospital.

As revelações ocorrem em meio a investigações já iniciadas em Pequim sobre o pagamento de propinas por parte da multinacional britânica GlaxoSmithKline.

"Eu não nego que as multinacionais fazem isso (dar dinheiro)", disse um representante de vendas. "É raro, no entanto, e apenas muito poucas pessoas recebem."

Mas ele relembrou o incidente em que um produto de sua empresa havia sido retirado das prateleiras de um hospital, o que causou "constrangimento" a ele e à sua companhia.

"O procedimento normal para colocá-lo de novo ali é muito complicado e demanda muito dinheiro e energia. Nós buscamos uma alternativa mais rápida," confessou.

Ele admitiu que pagou um montante não revelado para garantir o retorno do produto às prateleiras do hospital.

O representante de vendas classificou o ato como propina e afirmou que houve consentimento de seus superiores. Também disse que custaria muito mais dinheiro para atingir o mesmo resultado por meio de vias oficiais.

"O custo seria muito maior se nós não tivéssemos pagado a propina", disse ele.

Ação mafiosa

As denúncias vêm à tona após acusações feitas no mês passado pela polícia chinesa de que a GlaxoSmithKline teria adotado um esquema "semelhante ao de um grupo mafioso" no país.

A empresa foi acusada de direcionar 320 milhões de libras (cerca de R$ 1,1 bilhão) por meio de agências de turismo para subornar médicos e autoridades de saúde.

Quatro representantes da empresa foram presos. Um deles, um executivo chinês da GSK, afirmou à televisão estatal que as propinas pagas pela empresa teriam inflacionado o preço dos medicamentos em cerca de 30%.

A multinacional britânica informou que está cooperando com as investigações do governo chinês.

A expectativa é de que os gastos com saúde na China dobrem no fim desta década, segundo estimativas.

Com as investigações, as autoridades do país esperam reduzir esse aumento.


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