Fiocruz descobre substância capaz de bloquear zika

Substância contra zika

Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Pernambuco descobriram uma substância que pode bloquear a reprodução do vírus zika em células epiteliais e neurais.

A substância, chamada 6-metilmercaptopurina ribosídica (6MMPr), atua contra o tipo de vírus zika que circula no Brasil.

Os testes, por enquanto realizados apenas em células em laboratório (in vitro), mostraram a redução da produção do vírus em mais de 99% dos experimentos, que foram feitos com diferentes dosagens e diferentes tempos de reação - quanto maior a dosagem, maior a eficiência.

A toxicidade da 6MMPr para as células neurais também parece ser baixa, um sinal promissor para futuros tratamentos de infecções no sistema nervoso, que poderiam produzir poucos efeitos colaterais.

"Diante das manifestações neurológicas associadas ao vírus zika e os defeitos congênitos provocados pelo mesmo, o desenvolvimento de antivirais seguros e efetivos é de extrema urgência e importância," afirmou Lindomar Pena, coordenador da pesquisa.

Fiocruz descobre substância capaz de bloquear zika
As células estão marcadas na cor azul e células infectadas em verde. Observa-se uma redução das células infectadas com o aumento da dose da 6MMPr.
[Imagem: Otavio Valério de Carvalho et al. - 10.1016/j.ijantimicag.2017.08.016]

Longa jornada

A substância sintética é do grupo das tiopurinas, origem de medicamentos contra o câncer. Esse tipo específico, no entanto, nunca foi utilizado. Os pesquisadores da Fiocruz trabalhavam com a 6MMPr em um outro estudo, para combater um vírus que ataca cães, a cinomose canina. "Nós identificamos que ela tem atividade contra a cinomose. E, por ser um vírus de RNA, assim como o zika, nós formulamos a hipótese que também funcionaria contra o zika," contou Lindomar.

Contudo, serão necessários vários anos de estudo antes que a 6MMPr possa comprovar sua eficácia e segurança e virar um medicamento a ser produzido em larga escala. O próximo passo é o teste em camundongos - são necessárias ainda outras duas espécies de animais até chegar ao teste em humanos. Nesse processo, é comum ser necessário alterar a substância, para se contrapor a eventuais problemas identificados nos experimentos.

De acordo com Lindomar Pena, o tempo médio até que todo esse processo transcorra normalmente é de 10 anos. "Mas, por causa da importância e da gravidade do zika, pode ser que esse período possa ser reduzido pela metade," estima.


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