Hepatite no Brasil é menor do que anunciado pela OMS

Hepatite no Brasil é menor do que anunciado pela OMS
Estudo indica que a quantidade de pessoas infectadas pelas hepatites A, B e C é menor do que os números anteriormente divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
[Imagem: CDC]

Menos hepatite

Um estudo realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) indica que a quantidade de pessoas infectadas pelas hepatites A, B e C é menor do que os números anteriormente divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Realizado para estimar a prevalência da hepatite do tipo A entre a população de 5 a 19 anos e das do tipo B e C entre as pessoas entre 10 e 69 anos de idade e identificar os grupos de maior risco à doença, o levantamento consumiu sete anos de trabalho e acabou por, segundo os critérios da própria OMS, classificar o Brasil como área de baixa prevalência da doença. Foram ouvidos moradores das 27 capitais brasileiras.

Baixa prevalência

As informações anteriores apontavam para uma alta incidência da hepatite tipo B na Região Norte, onde a doença atingia até 8% da população. Nas demais regiões a infecção era vista como de média intensidade, acometendo entre 2% e 7% da população. Já com base nos novos dados, a coordenadora do estudo, Leila Beltrão Pereira, afirma que, na verdade, todo o país deve ser considerado de baixa prevalência para a infecção da hepatite B, pois a doença atingiria menos de 1% da população.

"O Brasil, hoje, tem menos de 1% de indivíduos infectados. Anteriormente, esse índice variava entre 2% e 7% nas regiões consideradas de endemicidade intermediária e de 8% na Região Amazônica", disse Leila Beltrão durante a cerimônia de lançamento do novo protocolo com as diretrizes para o tratamento da hepatite tipo B, realizada hoje (27), em Brasília.

Riscos de contrair hepatite

De acordo com a coordenadora, ainda há locais onde a população está mais sujeita a contrair a infecção, em geral, bolsões de pobreza onde as piores condições de moradia e o menor nível de escolaridade se somam a fatores associados à doença. No geral, a Região Norte segue como a de maior incidência de casos do tipo B, com um percentual de 0,92% entre a população de 20 a 69 anos, seguida pela Região Centro-Oeste, com 0,76%, e a Região Sul, com 0,55%.

Quando divididos em dois grupos, os resultados apresentados hoje (27) indicam que cerca de 27,4% das crianças entre 5 e 9 anos já foram infectadas pelo vírus da hepatite A. Entre os jovens de 10 a 19 anos, o índice sobe para 48,5%. No caso da hepatite B, entre os jovens de 10 e 19 anos, a doença acometeu 0,55% dos entrevistados, e 0,60% das pessoas entre 20 e 69 anos. O vírus da hepatite C infectou 0,94% dos jovens entre 10 e19 anos e 1,87% das pessoas entre 20 e 69 anos.

Ao considerar apenas a hepatite do tipo A, o novo mapa do contágio aponta para um quadro melhor do que o anteriormente divulgado pela OMS, com uma prevalência menor do que a que vinha sendo divulgada até agora. Nas regiões Sul e Sudeste menos de 25% da população tiveram contato com o vírus, o que as coloca entre as áreas de baixa endemicidade. Já as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste estão na fase intermediária (acima de 25%).

Pesquisa ampla

Segundo Leila Beltrão, a diferença entre os números anteriores e os atuais são fruto da maior amplitude de pessoas entrevistadas na atual pesquisa. Além disso, reforçam ainda mais o que já se sabia, embora não fosse levado em consideração nos levantamentos anteriores, que, de acordo com a coordenadora da pesquisa, priorizavam a pesquisa em localidades mais pobres.

"Todos os estudos prévios eram setorizados, feitos no que chamamos de bolsões de pobreza. Como a hepatite B é uma doença interiorana, encontrada principalmente entre as populações mais carentes, isso se refletia nos números totais. Agora nós pudemos avaliar o Brasil como um todo, demonstrando que a prevalência da doença é baixa. Além disso, há também o impacto da vacina, que desde a década de 1980 vem modificando esses números", disse.

Situação da hepatite no Brasil

Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o estudo é importante por permitir que as autoridades da área avaliem a real situação da doença no Brasil. "Isso vai permitir planejar de maneira mais adequada as nossas políticas, além de abrir uma nova visão do problema. Com base nesses dados, acho que o mapa da doença no país, no qual a OMS nos classifica com base em estudos defasados, inexistentes ou empíricos, agora ganha uma base bastante distinta que, se não reduz a dimensão do problema, o coloca em seu devido lugar, nos permitindo atuar melhor".


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