Homens e mulheres ficam doentes de formas diferentes

Homens e mulheres ficam doentes de formas diferentes
É necessário que os médicos aprendam e levem em conta as desigualdades fundamentais entre homens e mulheres quando o assunto é o tratamento das doenças físicas.
[Imagem: Cortesia Versitas]

Doença de homem e doença de mulher

Em tempos de igualdade de direitos, dignidade e comportamento, é fácil esquecer que homens e mulheres são biologicamente diferentes.

Talvez mais diferentes do que os cientistas vinham se dando conta até agora.

Pesquisadores mostraram que há diferenças cruciais na forma como homens e mulheres ficam doentes, mesmo quando têm as mesmas doenças.

Segundo eles, no alvorecer do terceiro milênio, a medicina ainda não sabe quase nada sobre as diferenças das doenças entre os sexos, principalmente quando se trata dos sintomas das doenças, das influências dos fatores sociais e psicológicos, e das ramificações dessas diferenças para o tratamento e a prevenção.

Giovannella Baggio e sua equipe da Universidade de Pádua (Itália) mostraram as diferenças de gênero em doenças tão diferentes quanto osteoporose, doenças do fígado, doenças cardiovasculares, câncer, e também na área de farmacologia, ou seja, nos efeitos dos remédios.

Mesma doença, sintomas diferentes

Para um mesmo diagnóstico, homens e mulheres podem ter sintomas totalmente diferentes.

Por exemplo, normalmente vistas como males masculinos, as doenças cardiovasculares frequentemente surgem nas mulheres com sintomas radicalmente diferentes daqueles que aparecem nos homens.

Em um homem, um ataque cardíaco normalmente dá seus sinais na forma de uma contrição no peito e uma dor que se irradia para o braço esquerdo.

Nas mulheres, os principais sinais de um ataque cardíaco são náuseas e dor na parte inferior do abdome.

Embora os ataques cardíacos nas mulheres sejam mais graves e mais complicados, quando reclamam desses sintomas, as mulheres muitas vezes não recebem os procedimentos de análise necessários, tais como um eletrocardiograma, exames de enzimas ou uma angiografia coronária.

O câncer de cólon é a segunda forma mais comum de câncer entre homens e mulheres. No entanto, as mulheres sofrem desta doença numa fase posterior da vida. Além disso, os tumores do cólon tipicamente ocorrem em um local diferente nas mulheres, e respondem melhor a tratamentos químicos específicos.

O sexo também tem um impacto sobre a capacidade de resposta do paciente à quimioterapia, como a administrada para tratar o próprio câncer do cólon, mas também o de pulmão e da pele.

Ou seja, o gênero influencia o curso da doença e as possibilidades de o paciente sobreviver.

Os hormônios femininos, assim como diferenças genéticas, também tornam as mulheres particularmente mais sujeitas à cirrose biliar primária, à hepatite C crônica e à osteoporose.

Neste último caso, normalmente vista como uma doença feminina, a osteoporose também acomete os homens, embora muitas vezes passe despercebida pelos médicos, o que ajuda a explicar o grande número de mortes masculinas por complicações iniciadas com fraturas.

Efeitos dos remédios em homens e mulheres

Baggio e sua equipe também mostraram uma diferença entre homens e mulheres na farmacologia da aspirina e de outros medicamentos.

As diferenças na forma de ação e nos efeitos colaterais são atribuíveis às diferenças físicas e a um estado hormonal fundamentalmente diferente, o que faz com que variem os tempos de absorção e eliminação dos remédios.

Assim, argumentam os pesquisadores, para administrar um medicamento de forma segura e eficaz, fazer uma dosagem correta e estabelecer a duração adequada do tratamento, os médicos precisam levar em conta o sexo do paciente.

Segundo eles, é necessário fazer mais pesquisas na área, a fim de que os médicos aprendam e levem em conta as desigualdades fundamentais entre homens e mulheres quando o assunto é o tratamento das doenças físicas.

Os resultados do estudo foram publicados no Journal of Clinical Chemistry and Laboratory Medicine.


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