USP desenvolve implante intraocular para tratar diversos tipos de doenças

USP desenvolve implante intraocular para tratar diversos tipos de doenças
Embora inicialmente esteja destinado para o tratamento de doenças da retina, o implante poderá futuramente ser utilizado no tratamento de doenças localizadas em outros órgãos e tecidos do corpo.
[Imagem: Pedro Bolle/USP]

Um implante intraocular desenvolvido na Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto promete melhorar a visão de pacientes com uma série de doenças da retina, que podem levar à cegueira.

O implante tem aproximadamente o tamanho da ponta de um lápis e consiste na associação de um componente biodegradável (PLGA) com um medicamento, a dexametasona.

O dispositivo, que é implantado dentro do olho, usa a tecnologia de liberação prolongada de medicamento, fazendo com que ele se dissolva dentro do olho por aproximadamente 6 meses, sem a necessidade de o paciente usar colírios ou medicamentos orais durante este período.

O implante, resultado de dez anos de pesquisas, foi testado em 10 pacientes que participaram do primeiro estudo clínico da nova técnica.

Os resultados mostraram que o implante age em doenças vasculares da retina que levam à redução da visão e, em casos mais avançados, à redução da cegueira.

O tratamento poderá beneficiar pacientes portadores de várias doenças da retina, como edema de mácula (inchaço na área central da retina decorrente de oclusão vascular), retinopatia diabética, uveíte (inflamação da úvea, formada pela íris, corpo ciliar e coroide), degeneração macular e outras.

Várias dessas doenças afetam a população mais idosa, entre 50 e 70 anos - também serão beneficiados pacientes que sofrem de toxoplasmose ocular, degeneração macular relacionada à idade e retinite por citomegalovírus eendoftalmite.

Além dos olhos

Mas a técnica é muito versátil, e poderá ser aplicada em outras terapias.

Embora inicialmente esteja destinado para o tratamento de doenças da retina, o implante poderá futuramente ser utilizado no tratamento de doenças localizadas em outros órgãos e tecidos do corpo, podendo melhorar o tratamento e evitar efeitos adversos decorrentes da administração sistêmica de medicamentos.

Agora os pesquisadores prosseguirão para a segunda parte da fase de estudos, cujo início está previsto para janeiro de 2014, quando poderão participar em torno de 50 pacientes.

Também não há ainda previsão para início da comercialização, mas os testes clínicos em pacientes estão em fase avançada, o que constitui um pré-requisito para sua liberação.


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