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03/02/2012

Animais transgênicos: cientistas alertam para falta de informações

Redação do Diário da Saúde
Cientistas questionam informações científicas disponíveis sobre animais transgênicos
A ideia é que os mosquitos geneticamente modificados destruam as populações dos seus parentes naturais que transmitem doenças para os seres humanos. Contudo, os cientistas alegam que isto está sendo feito sem levar em conta questões científicas óbvias, como o mal que eles possam eventualmente fazer ao ser humano. [Imagem: Fiocruz]

Animais transgênicos

As plantas geneticamente modificadas, ou plantas transgênicas, já estão largamente disseminadas na natureza, e a sociedade em grande medida já tem informação, embora talvez não ciência, do que está ocorrendo.

Mas o mesmo não está se dando com a liberação de animais geneticamente modificados, que estão sendo soltos sem a disponibilização de informações científicas "sequer razoáveis".

O alerta é de um grupo de cientistas do Instituto Max Planck, da Alemanha.

Segundo eles, há falhas sérias na qualidade científica dos documentos regulatórios e uma falta geral de descrições experimentais precisas que possam ser disponibilizadas para a sociedade antes da liberação desses animais transgênicos.

Efeitos sobre o ser humano

Os cientistas examinaram a soltura na natureza de animais geneticamente modificados que ocorreram na Malásia, Estados Unidos, Ilhas Cayman e no Brasil.

Segundo eles, as preocupações mais urgentes se relacionam com a liberação na natureza de mosquitos e pernilongos que podem potencialmente picar seres humanos.

E, alertam eles, não sabe nada sobre o que essas picadas possam causar ao homem.

Esses animais estão sendo desenvolvidos em laboratório principalmente com o objetivo de eliminar populações da mesma espécie, e que transmitem doenças para os seres humanos, como malária e dengue.

Mas há também experimentos para a criação de insetos transgênicos para controlar pragas na lavoura.

Sem valor científico

O estudo centra-se na regulamentação criada nos Estados Unidos, que agora está sendo promovida como um modelo de regulamentação para insetos geneticamente modificados para ser adotado em nível global.

O primeiro estudo de impacto ambiental desses animais geneticamente modificados foi feito em 2008.

Mas os cientistas levantam dúvidas sobre o valor científico desse estudo - por exemplo, a maioria das abordagens transgênicas aprovadas pelo documento se baseia em apenas dois estudos de laboratório, dentre os mais de 170 estudos disponíveis e citados pelo documento.

Além disso, os dois estudos abordam apenas uma das quatro espécies de animais geneticamente modificados cobertas pelo documento.

Gerações de animais transgênicos

Segundo os pesquisadores, a primeira e mais óbvia questão é se as pessoas que vivem nas Ilhas Cayman, na Malásia e no Brasil, onde os animais estão sendo soltos, podem ser picadas por esses mosquitos geneticamente modificados.

Nas informações, publicadas para as solturas realizadas nas Ilhas Cayman e na Malásia, essa questão foi simplesmente ignorada ou o risco foi considerado inexistente, "já que apenas mosquitos machos foram soltos, e eles não picam".

Contudo, argumentam os cientistas alemães, é muito provável que as filhas dos machos transgênicos liberados piquem os humanos.

Os estudos científicos embasando o desenvolvimento dos animais transgênicos afirmam que eles são "machos parcialmente estéreis", e não "machos estéreis", como se apregoa ao se falar ao público, argumentam os cientistas.

Preocupações científicas

O grupo não afirma categoricamente que esses animais sejam inerentemente perigosos, mas que a confiança do público na legislação pode se perder quando se perceber que preocupações científicas óbvias e plausíveis estão sendo simplesmente deixadas de lado na elaboração dessas legislações.

Os cientistas alegam não ter encontrado nenhum documento publicamente disponível que leve em conta cientificamente os impactos à saúde humana de alguém ser picado por fêmeas transgênicas.

Grandes números de pernilongos geneticamente modificados estão sendo liberados no Brasil e estão sendo avaliados em vários outros países, incluindo França, Guatemala, Índia, México, Panamá, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Vietnã e Reino Unido.

As alegações para a liberação dos animais transgênicos na natureza se fundamentam em questões de saúde humana e para o controle de pragas na agricultura.

Práticas questionáveis

Segundo os cientistas, é necessário evitar, no caso dos animais geneticamente modificados, as "práticas questionáveis que caracterizaram o desenvolvimento comercial das plantas geneticamente modificadas."

O artigo completo dos cientistas alemães, em inglês, pode ser acessado na íntegra, e gratuitamente, no endereço http://www.plosntds.org/article/info:doi/10.1371/journal.pntd.0001502.


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