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15/12/2011

Lei que proíbe bater nos filhos é aprovada na Câmara

Com informações da Agência Brasil

Lei da Palmada

Foi aprovado hoje na Câmara dos Deputados o projeto de lei que protege a criança e o adolescente de receber qualquer punição por castigos físicos, as famosas palmadas.

A proposta, que ficou conhecida como a Lei da Palmada, tem o objetivo de reforçar o controle da Justiça sobre os casos de maus-tratos contra a criança e o adolescente.

Aprovado por unanimidade na comissão feita para analisar a matéria, o projeto segue agora para apreciação do Senado.

Punição física

O texto original do Projeto de Lei 7.672/2010 teve que ser alterado para que a relatora, Tereza Surita, desse seu voto favorável.

O termo "castigo corporal" foi substituído por "castigo físico", que caracteriza qualquer ação de natureza disciplinar primitiva, com o uso da força física, que resulte em lesão à criança e ao adolescente.

A palavra "sofrimento" também foi incluída no projeto, considerada como castigo.

A relatora Tereza Surita afirmou que a lei é educativa e que a punição física, por parte de pais e responsáveis quando a criança é desobediente, é uma questão cultural.

"É cultural usar a violência na educação, e está mais do que comprovado que a violência não educa. Ela paralisa e não traz reflexão", disse a relatora.

De acordo com a deputada, nesse cenário, é fundamental a mudança de valores. Ela destacou que o projeto de lei prevê o encaminhamento de casos mais graves para o acompanhamento psiquiátrico e social da criança e do agressor. "Quem agride de uma forma mais violenta também precisa de um acompanhamento", justificou.

Ação contra a violência

A deputada Érika Kokay, integrante da comissão especial, disse que o uso da violência não corrige e nem educa.

"O projeto não interfere na forma de educar as crianças e os adolescentes. Isso é uma função da família, dos educadores. O projeto interfere na violência, no bater, no machucar, no provocar sofrimento, no provocar lesão", observou.

Para ela, os que se colocam contra o projeto estão, na verdade, defendendo o direito de bater ou até mesmo espancar uma criança. "Esse projeto não tem o poder de interferir na educação e no poder da família, que é insubstituível", afirmou.

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República divulgou hoje nota na qual reconhece a aprovação da lei que pune a agressão física a crianças como um "importante passo para a afirmação dos direitos da criança e do adolescente contra todos os tipos de violência".

De acordo com a secretaria, um terço das denúncias registradas pelo módulo criança e adolescente do Disque Direitos Humanos (Disque 100) corresponde a situações de violência física.

Na visão da secretaria, o projeto propõe que a educação dos filhos seja baseada no diálogo e no respeito, de forma a priorizar os direitos humanos de meninos e meninas. A proposta, diz a nota, apoia as famílias e colabora para o enfrentamento da banalização da violência.


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