Livro reacende discussão sobre alimentos transgênicos

Livro resgata problemática dos transgênicos

Polêmica dos transgênicos

"É impossível a coexistência entre transgênicos e alimentos orgânicos sem contaminação". "A produção de transgênicos afeta a associação do homem com a agricultura e a biodiversidade".

Com estes e outros alertas, o professor Rubens Onofre Nodari apresentou, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o livro "Roleta Genética - Riscos Documentados dos Alimentos Transgênicos Sobre a Saúde, de Jeffrey M. Smith.

A apresentação da obra contou com a presença da editora do livro no Brasil, Josiana Arippol (também responsável por parte da revisão técnica da obra) e resgatou para a plateia a problemática envolvendo os organismos geneticamente modificados.

O que são transgênicos?

Pesquisador de transgênicos há 20 anos, gerente de recursos genéticos do Ministério do Meio Ambiente no período de 2003 a 2008, Nodari apresentou o livro a partir de um panorama do uso de transgênicos no Brasil e em outros países. Depois usou slides de Jeffrey M. Smith, o autor que há mais de uma década escreve sobre o tema, mostrando impactos dos OGMs na saúde humana.

Geneticista, Nodari lembrou do conceito de transgênicos (organismos que têm seu código genético alterado) e a versatilidade da molécula de DNA. "Ela permite cortar, mexer, montar, introduzir em seu interior diferentes organismos, e mesmo com o manuseio continua exercendo sua função".

Os problemas da manipulação genética

Mas, aos poucos, o pesquisador foi mostrando como a capacidade humana de mexer nesse código que determina as características dos seres vivos se tornou problemática.

"Nunca entra um gene bonitinho como é desenhado em laboratório", disse o professor que pesquisa o fluxo gênico do milho transgênico para variedades crioulas. Segundo ele, a maioria dos eventos transgênicos não são "normais". "A empresa manda em frente aqueles que parecem normais", criticou o pesquisador.

Não há estatísticas precisas, mas atualmente cinco países (Estados Unidos, Argentina, Brasil, Canadá e China, respondem por 92% da produção mundial de transgênicos). Metade da área plantada está nos Estados Unidos, 16% na Argentina e 12% no Brasil. Em sua opinião, a transgenia não é um fenômeno mundial, como é divulgado, e a tecnologia produz "muita fanfarra, promessas que nem sempre são cumpridas."

Arroz transgênico amarelou

O professor lembrou do caso do arroz dourado, programado para produzir grande quantidade de betacaroteno (substância que origina a vitamina A), e aclamado como uma possibilidade para "salvar milhões da morte" (segundo matéria publicada em jornal de abrangência nacional, mostrou o pesquisador). "Passados seis anos, ainda não é comercializado", contextualizou e, sempre a partir de exemplos, questionou os benefícios da transgenia.

Produtividade dos transgênicos

Com dado recente divulgado pela Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul de que a soja convencional produz em média 9% a mais do que a variedade transgênica, contestou a maior produtividade proporcionada pelos transgênicos. "A alteração do DNA consome energia e o novo grão enche menos, o rendimento é menor", explicou.

Falou também dos problemas nos testes que deveriam ser feitos para avaliação de transgênicos, mas que são ignorados ou realizados de forma insuficientes ou inadequada para gerar conclusões confiáveis. E mostrou como são questionáveis os princípios e procedimentos utilizados para aprovação dos transgênicos.

Sacrilégio científico

No caso do Brasil, por exemplo, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) considera que não há evidência de risco ambiental ou para a saúde. "O Brasil tomou a ausência de evidência como evidência da ausência. É um sacrilégio científico", considera o pesquisador.

Segundo ele, em outros países são realizadas avaliações baseadas na equivalência substancial - se o produto é quimicamente semelhante em nutrientes aos não modificados geneticamente, é seguro para consumo. "Mas testes químicos são diferentes de testes toxicológicos, diferentes de testes imunológicos, diferentes de testes para comprovar a segurança na alimentação", lamentou mais uma vez.

Falta de isenção da CTNBio

Além disso, denunciou, há conflito de interesses, já que representantes da CTNBio têm ligações com empresas ou laboratórios que querem desenvolver transgênicos. Outro complicador é a falta de agilidade do governo para indicar representantes da sociedade civil na comissão, que até determinação da justiça realiza suas reuniões a portas fechadas.

"Nos resta a questão sobre que riscos teríamos que avaliar", considerou o pesquisador. Segundo ele, contaminação de variedades crioulas e tipos silvestres, acompanhado de erosão genética; danos a componentes da biodiversidade, como insetos e outros organismos benéficos à agricultura e ao meio ambiente e aumento do uso de agrotóxicos estão entre os danos cientificamente comprovados.


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