Por que todos temem uma máquina do prazer?

Por que todos temem uma
O aparelho, conectado à coluna vertebral, ajuda a controlar dores crônicas. Mas apresenta o interessante efeito colateral de induzir orgasmos em alguns pacientes.
[Imagem: Stuart Meloy]

O Orgasmatron é uma pequena caixa que, conectada à coluna vertebral, é capaz de causar orgasmos com o simples toque de um botão - pelo menos em algumas pessoas.

Patenteada pelo médico norte-americano Stuart Meloy, esta tecnologia tem uma história estranha e fascinante - mas nunca atraiu a atenção de investidores interessados em colocá-la no mercado.

Ela andava totalmente esquecida, até que um site de relacionamento social retirou do baú uma reportagem sobre o Orgasmatron publicada pela revista britânica New Scientist há mais de 10 anos.

O remake fez sucesso entre os internautas e os jornalistas ávidos por novidades.

"Você é o sexto ou sétimo jornalista que me liga, e eu me pergunto o que está acontecendo", disse o surpreso Dr. Meloy a um repórter da BBC.

O dinheiro para colocar o aparelho no mercado, porém, ainda não apareceu.

Efeitos colaterais desejáveis

Meloy é médico especialista em tratar pacientes que sofrem de dores crônicas.

Ele começou a trabalhar com implantes eletrônicos que, conectados aos nervos da coluna, enviam leves impulsos para aliviar uma dor crônica.

Em uma determinada ocasião, depois de receber o implante, um paciente disse que havia sentido um efeito colateral inesperado: o dispositivo havia emitido sensações de prazer.

Meloy percebeu que tinha em suas mãos uma poderosa tecnologia que poderia ser usada no tratamento de homens e mulheres com disfunção sexual.

Um dos obstáculos para a comercialização do produto são os materiais necessários, como por exemplo o gerador, que custa cerca de US$ 25 mil (cerca de R$ 56,300).

O mais caro, porém, seriam os testes clínicos necessários para que as autoridades de saúde possam analisar e, eventualmente, aprovar o uso do Orgasmatron - o médico estima que esses estudos custariam US$ 6 milhões.

Apesar disso, o dispositivo original de Meloy, destinado a aliviar as dores crônicas, foi implantado em milhares de pacientes - e alguns deles garantem ter-se beneficiado dos interessantes "efeitos colaterais".

Manipulação das pessoas

Meloy não é o primeiro a ter a ideia de implantar "botões" de prazer em seres humanos.

Na década de 50, outro médico norte-americano, Robert Galbraith Heath, criou uma técnica, a eletroterapia, que consistia na inserção de eletrodos em pequenos buracos abertos com brocas de dentista nos crânios de seus pacientes. Através desses eletrodos, era possível administrar impulsos elétricos diretamente ao cérebro.

Heath descobriu que, quando ativada, a área septal poderia induzir uma onda de prazer que suprimia o comportamento violento de alguns de seus pacientes. Em seguida, ao dar-lhes um interruptor para acionar a "onda de prazer", os pacientes eram capazes de alterar o seu humor por conta própria.

Heath desistiu da ideia depois que os militares lhe procuraram com interesse em infligir dor a suspeitos durante interrogatórios e controlar a mente dos seus inimigos.

O médico espanhol José Manuel Rodriguez Delgado foi outro pesquisador que tentou manipular as sensações de prazer no cérebro, usando estimuladores cerebrais elétricos conectados a transmissores de ondas de rádio, colocando o paciente efetivamente sob controle remoto.

Ele confiava tanto em sua tecnologia que fez um teste com touros, conseguindo parar um touro em uma tourada de verdade antes que este o atacasse.

Delgado também desistiu do projeto depois que dois de seus colegas cientistas sugeriram que os dispositivos poderiam ser usados para apaziguar os cidadãos afro-americanos que participavam de protestos em várias cidades.


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