Fiocruz produzirá medicamento contra rejeição de transplantes

Fabricação e pesquisa

Um acordo que foi assinado entre a multinacional Roche e a Fiocruz permitirá que o Brasil passe a produzir o medicamento Micofenolato de Mofetila, indicado contra a rejeição de órgãos transplantados, principalmente rins.

Ainda em 2011, a Fundação fornecerá nove milhões de comprimidos ao Sistema Único de Saúde (SUS). A partir de 2012, a Fiocruz produzirá 20 milhões de comprimidos do Micofenolato de Mofetila por ano.

Com a incorporação de todo o processo de produção do medicamento, a estimativa é que o gasto anual do governo diminua nos próximos anos.

A parceria com a Roche também prevê intercâmbio científico para o desenvolvimento de novos tratamentos e transferência de tecnologia para a produção de medicamentos contra câncer, doenças neurológicas e virais. O presidente mundial da Roche, Severin Schwan, e o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, participaram da assinatura, na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro.

Sustentabilidade do SUS

Para o presidente da Fiocruz, o acordo com a multinacional permitirá aumentar a sustentabilidade do SUS e é mais uma grande aposta no fortalecimento da política nacional de pesquisa e desenvolvimento (P&D), além de abrir oportunidade para outras parcerias.

"Essa capacidade de diálogo e intercâmbio tecnológico e científico é fundamental para o país e para gerar benefícios para a população e seguramente será usada em futuros acordos do tipo". Gadelha lembrou que o projeto contribui para reduzir o déficit comercial brasileiro na área da saúde e que a Fundação e o Brasil ganham ao firmar parcerias com empresas que investem em ciência e tecnologia. "Estamos garantindo o acesso a medicamentos pelos brasileiros e assim ampliando os indicadores de saúde nacionais".

Segundo o diretor do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), Hayne Felipe, o acordo possibilita à instituição incorporar novas tecnologias e aumenta sua autonomia, reforçando a soberania brasileira no setor de medicamentos.

O presidente mundial da Roche, Severin Schawn, afirmou que não veio ao Brasil apenas pela parceria firmada nesta quarta-feira, mas para desenvolver uma cooperação de longo prazo com a Fundação e o país. "É uma oportunidade para inovar e para crescermos juntos. Por isso não penso em termos de meses ou em projetos de curto prazo. O Brasil é cada vez mais importante no mundo e a Roche, que está aqui há 80 anos, quer ficar pelo menos mais 80".

Cirurgias de transplante

A parceria com a Roche levará a uma redução do preço praticado com o Ministério da Saúde (MS) durante o período de transferência de tecnologia (o valor passará de R$ 1,87 para R$ 1,67) e também propiciará o domínio de todas as fases do processo, incluindo a produção do insumo farmacêutico ativo (IFA).

Outro ganho virá com o intercâmbio de pesquisadores, já que a ocorrerá a participação da Fiocruz no desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento de doenças de interesse para o MS.

O número de transplantes realizados no país apresenta crescimento sustentado nos últimos anos. Enquanto em 2003 foram realizados 12.722 procedimentos, em 2009 o Brasil contabilizou 20.253 cirurgias desse tipo - um aumento de 59,2%.

Só no primeiro semestre de 2010, o número de transplantes de órgãos sólidos (coração, fígado, rim, pâncreas e pulmão) chegou a 2.367. A quantidade é 16,4% maior que o número de procedimentos realizados no mesmo período de 2009 (2.033 transplantes).


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