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21/05/2013

Médicos deveriam se submeter a exames de drogas e álcool

Mark Guidera

Para melhorar a segurança dos pacientes, os hospitais devem examinar aleatoriamente seus médicos quanto ao uso de drogas e álcool, da mesma forma que outras grandes indústrias fazem para proteger seus clientes.

A recomendação está sendo feita por especialistas da Universidade Johns Hopkins (EUA).

Além disso, dizem os especialistas, as instituições médicas devem seguir o exemplo de outras indústrias de alto risco, como as companhias aéreas, ferrovias e usinas nucleares, e defendem que os médicos sejam testados para disfunções geradas por drogas ou álcool imediatamente após uma morte inesperada de um paciente ou outro evento significativo.

"Os pacientes podem ser melhor protegidos contra danos evitáveis. Médicos e empregadores poderão contar com uma redução nos eventos negativos não-intencionais, acidentes, troca de mão-de-obra, e a identificação precoce de um problema debilitante," escrevem os autores Julius Cuong Pham, Peter Pronovost e Gregory Skipper no The Journal of the American Medical Association.

Os autores observam que "o teste obrigatório de álcool e de drogas para os médicos envolvidos com mortes inesperadas ou eventos sentinela não é uma prática em Medicina" ainda que os médicos sejam tão suscetíveis ao vício em álcool, narcóticos e sedativos quanto o público em geral - um evento sentinela é um incidente que resulta em morte ou danos físicos graves.

Eles recomendam que os hospitais tomem uma série de medidas como modelo para resolver esse negligenciado problema da segurança dos pacientes:

  • Exame físico obrigatório, testes de drogas ou ambos, antes da contratação de um médico por um hospital;
  • um programa aleatório de testes de álcool e de drogas;
  • uma política para testes de rotina de drogas e álcool para todos os médicos envolvidos com eventos sentinela que levem à morte do paciente;
  • estabelecimento de normas padrão por um hospital regulador nacional ou organismo de credenciamento.

Nos casos em que um médico esteja sem condições, o hospital poderia "suspender ou revogar os privilégios e, em alguns dos casos, relatar o caso para o organismo de licenciamento estadual," escrevem os autores.

Médicos com disfunção deveriam se submeter a tratamento e acompanhamento de rotina, como condição para continuar a exercer a profissão e contar com os privilégios hospitalares.

"Os pacientes e seus familiares têm o direito de ser protegidos de médicos deficientes," argumentam os autores. "Em outras indústrias de alto risco, este direito é garantido por regulamentos e fiscalização. Não deveria ser assim com a Medicina? Um sistema robusto para identificar médicos deficientes pode aumentar o profissionalismo que a revisão por pares procura proteger."


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