Médicos renomados fazem mais bem ao hospital que aos pacientes

Médicos renomados fazem mais bem ao hospital que aos pacientes
Tratamentos com médicos renomados geralmente não mudam o resultado de um grave problema de saúde. Mas custam menos - a questão que fica é quem embolsa a economia.
[Imagem: MIT/istockphoto]

Médicos famosos

Vale a pena pagar mais caro por uma consulta com um médico de renome ou internar-se em um hospital mais famoso?

Será que os custos adicionais que um paciente incorre ao optar por estas opções "de ponta" pagam-se em termos de benefícios adicionais à sua saúde?

Uma pesquisa realizada no renomado MIT, dos Estados Unidos, oferece uma conclusão sutil para estas perguntas.

Dinheiro, e não saúde

Tratamentos com médicos renomados não necessariamente mudam o resultado de um grave problema de saúde.

Por outro lado, os melhores médicos costumam oferecer um diagnóstico preciso mais rapidamente do que os "médicos comuns", diminuindo o tempo de internação e reduzindo os custos financeiros do tratamento.

Em outras palavras, um médico de renome pode não ser mais capaz de lhe curar do que seus colegas menos famosos, mas sua precisão de diagnóstico garantirá economia.

A questão que fica é para quem a economia vai. Se você for um paciente particular, embolsará a diferença. O mais provável, porém, é que os ganhos vão para o hospital ou para o plano de saúde.

Tempo de internação

"Como paciente, eu sempre espero ir para um hospital de prestígio, mas eu quero saber quanta vantagem há nisso," diz o economista Joseph Doyle, que fez a pesquisa juntamente com Steven Ewer, da Universidade de Wisconsin e Todd Wagner, da Universidade de Stanford.

"Acontece que, se você não tiver acesso às equipes de maior prestígio, os menos prestigiados acabarão por fazer o mesmo tipo de intervenção, mas vai levar mais tempo para que eles cheguem lá, e isso vai custar mais caro," diz ele.

O estudo mostrou que as internações hospitalares são 10% mais curtas e mais baratas na média, podendo chegar a 25% em certas especialidades médicas.

1% melhor

Para chegar a esta conclusão, Doyle e seus colegas analisaram cerca de 70.000 episódios de tratamento, envolvendo 30.000 pacientes, distribuídos por 13 anos, em um hospital de uma grande cidade norte-americana. O próprio hospital forneceu uma comparação de qualidade entre seus médicos.

Apesar das diferenças, em alguns aspectos os resultados básicos para os pacientes foram semelhantes, independentemente de serem tratados pelos médicos de primeira linha ou pelos médicos de segunda linha.

As taxas de mortalidade dos pacientes dos dois grupos tiveram uma diferença de apenas 1%, medidas no período de 1 dia, 1 ano e 5 anos.

Amanhã eu lhe digo o que você tem

A principal diferença entre as equipes esteve na facilidade e na confiança com que os médicos mais conceituados fizeram seus diagnósticos. Os médicos no programa B, os da parte inferior do ranking da escola médica, pediram 8% mais exames do que seus colegas mais conceituados, e, em média, levaram outros exatos 8% mais tempo para oferecerem o diagnóstico.

Estas diferenças foram mais pronunciadas no âmbito de determinadas especialidades. Por exemplo, os médicos do Programa B levaram 21 por cento mais tempo para pedir exames de coração, 51 por cento mais tempo para solicitar uma angiografia e 32 por cento a mais para pedir um teste de esforço cardíaco - tudo no caso de pacientes com insuficiência cardíaca.

Estes atrasos têm um impacto direto sobre o custo global do tratamento, já que resultará em maior tempo de internação para os pacientes. Além disso, as despesas de laboratório foram cerca de 13 por cento superiores para os pacientes desses médicos.


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