Mulheres com câncer em uma das mamas terão câncer na outra?

Depois da menopausa

Mulheres na pós-menopausa, incluindo aquelas com mais de 70 anos de idade, que tiveram câncer em uma das mamas diagnosticado recentemente, apresentam incidências mais altas de detecção de câncer na outra mama, quando se submetem a exame de imagens por ressonância magnética (MRI), em comparação com as mulheres na pré-menopausa, dizem pesquisadores da Clínica Mayo, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores descobriram que 3,8% das 425 mulheres com câncer em apenas uma mama, diagnosticado em exames clínicos ou mamográficos, também tinham câncer na outra mama, detectado apenas por MRI - todas elas estavam na pós-menopausa.

Câncer nas duas mamas

Para essas mulheres, detectar e tratar o câncer nas duas mamas ao mesmo tempo deve resultar em menores custos, menos estresse e, possivelmente, menor toxicidade, problemas que poderiam decorrer de um tratamento posterior de câncer na outra mama, depois que fosse descoberto, dizem os pesquisadores na edição de março/abril do The Breast Journal.

Foi particularmente interessante para os pesquisadores descobrir que as pacientes com mais de 70 anos apresentaram uma incidência mais alta de câncer na outra mama detectado por MRI do que as pacientes mais novas no estudo. Exames de MRI detectaram câncer na outra mama em 5,4% das 129 mulheres mais velhas incluídas no estudo.

"Nossas descobertas não são realmente surpreendentes porque sabemos que o risco de câncer de mama aumenta com a idade", diz o principal pesquisador do estudo, Johnny Ray Bernard Jr., M.D., oncologista de radiação da Clínica Mayo de Jacksonville. "As mulheres em idade mais avançada, mas com boa saúde, certamente se beneficiam da detecção precoce do câncer. Assim, um exame de MRI na mama aparentemente sem câncer deve ser considerado por todas as mulheres na pós-menopausa, com câncer já diagnosticado em uma das mamas", ele afirma.

Câncer contralateral

Desde 2003, a Clínica Mayo realiza exames de MRI das duas mamas em mulheres com câncer em uma das mamas já diagnosticado. Nesse estudo, os pesquisadores da Mayo fizeram uma análise retrospectiva dos históricos médicos de 425 mulheres, que foram submetidas a exames bilaterais de MRI das mamas, entre 2003 e 2007.

O objetivo era determinar a prevalência de câncer "contralateral" detectado por MRI, mas não localizado por mamogramas ou exames clínicos das mamas. A mama contralateral é a oposta àquela em que o câncer foi detectado anteriormente.

Eles concluíram que o fato de a mulher estar na pós-menopausa era o único indicador estatisticamente significativo de câncer contralateral detectado por MRI. Em 72 das 425 mulheres, o exame de MRI detectou uma lesão suspeita.

Biópsias subsequentes mostraram que 16 (22%) dessas 72 mulheres tinham câncer de mama contralateral (estágio 0-1) que não havia sido detectado por métodos típicos de exame. Das 16 mulheres com diagnóstico de câncer de mama contralateral, sete tinham mais de 70 anos.

Idade das mulheres

Os pesquisadores empreenderam o estudo, eles dizem, porque não tinham conhecimento de qualquer estudo publicado na literatura médica, que tenha verificado o uso de MRI para exame de câncer de mama contralateral em mulheres com câncer de mama já diagnosticado, que tenha incluído uma análise de mulheres com mais de 70 anos.

Faz sentido estudar o caso de mulheres dessa idade, eles afirmam. Estudos têm mostrado que exames de MRI da mama apresentam uma taxa de detecção mais alta de câncer do que exames clínicos da mama e mamografias apenas, no caso de mulheres com alto risco de desenvolver câncer de mama, lembra Johnny Bernard Jr.

Ele acrescenta que mulheres já diagnosticadas anteriormente com câncer de mama correm um risco de dois a seis vezes maior de desenvolver um câncer de mama contralateral secundário, em comparação com mulheres na faixa média de risco.

"Portanto, a combinação de idade mais avançada com histórico pessoal de câncer de mama possivelmente torna as mulheres com mais de 70 anos, com câncer em uma das mamas já diagnosticado anteriormente, mais propensas a desenvolver um câncer de mama contralateral", ele afirma.

Controvérsia no uso da ressonância magnética

O pesquisador reconhece que o uso rotineiro de MRI da mama em todas as pacientes com um histórico de câncer de mama, em um diagnóstico inicial, é uma prática controvertida, tanto como seu uso em pacientes mais velhas - veja

Mas, para ele, as descobertas desse estudo podem dar maior clareza ao debate, porque elas sugerem que pacientes na pós-menopausa apresentam uma prevalência maior de câncer de mama contralateral, que só é identificado por exames de MRI - e não por mamogramas ou exames físicos.

"Isso pode ter um impacto nos custos de tratamento de saúde, por se limitar os exames de MRI aos grupos mais propensos a apresentar taxas maiores de detecção, tais como as mulheres na pós-menopausa incluídas no estudo. E também pode reduzir custos ao se tratar o câncer nas duas mamas, ao mesmo tempo, em vez de se realizar tratamentos potencialmente caros e tóxicos por uma segunda vez - isto é, depois que o câncer de mama contralateral seja finalmente detectado por um mamograma ou exame físico", afirma o pesquisador.

Os pesquisadores declaram ainda que não deveria haver limitação de idade para o uso de exames de MRI nas pacientes de câncer de mama. "Nós sentimos, realmente, que o tempo de vida é subestimado para esse grupo de idade mais avançada", ele afirma.


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