Natureza tecnológica pode substituir a natureza real?

Natureza Tecnológica: Adaptação e Futuro da Vida Humana
A imagem mostra uma participantes da experiência de substituir uma janela por uma tela com uma bela imagem da natureza. Os resultados não foram bons.
[Imagem: Peter Kahn]

Tecnologia simulando a natureza

De um lado, as cidades perdem o contato com o lado mais bucólico do meio ambiente. De outro, melhora a tecnologia, permitindo simular a natureza em vários aspectos.

Mas será que versões tecnológicas da natureza poderiam tornar-se substitutas adequadas de um jardim, de uma praça, ou mesmo de uma paisagem selvagem?

Mais especificamente, será que as pessoas se satisfariam com uma fina tela de alta resolução, mostrando uma linda paisagem, no lugar de uma janela real?

Já seria possível pensar em atividades como a "tele-jardinagem", ou cultivar um pomar virtual?

E relacionar-se com animais de estimação robóticos seria tão gratificante quanto conviver com animais vivos?

Natureza Tecnológica

Para Peter Kahn, psicólogo da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, a resposta é não.

Para ele, os humanos precisam de exposição ao mundo natural.

"Não estamos apenas perdendo a natureza, estamos perdendo nossa interação com ela," afirma.

Kahn está lançando um livro, no qual ele descreve seus diversos estudos sobre as interações humanas com os substitutos tecnológicos da natureza: "Natureza Tecnológica: Adaptação e Futuro da Vida Humana".

O pesquisador alerta logo na introdução que ele não é um reacionário. "Eu amo a tecnologia. Mas também sou profundamente consciente de que há custos que acompanham quase todas as inovações tecnológicas".

Seus estudos procuram mostrar como os substitutos para a natureza afetam nossa saúde física e bem-estar psicológico.

Em termos gerais, ele conclui de seus experimentos que, embora a natureza tecnológica seja melhor do que nenhuma natureza, ela não é tão boa quanto o ar livre e a exposição real a seres vivos.

Janela virtual

Kahn repetiu várias vezes, em situações variadas, a experiência de substituir uma janela por uma tela com uma bela imagem da natureza.

Ele descobriu que os participantes olham para a tela com a mesma frequência que as pessoas olham para a janela na mesma situação.

Mas os participantes que olham para a tela não apresentam a mesma diminuição da frequência cardíaca verificada naqueles que olham para uma janela real, indicando que uma janela real com uma vista para a natureza pode combater o estresse.

"Se você se preocupa com a redução do estresse, com o bem-estar humano ou com o florescimento humano, precisamos de uma conexão direta com a natureza", disse Kahn.

Natureza Tecnológica: Adaptação e Futuro da Vida Humana
Kahn descreve também seus estudos com cães-robôs, como forma de avaliar como as pessoas, incluindo crianças pré-escolares e crianças com autismo, podem interagir com os robôs.
[Imagem: Peter Kahn/UW]

Jardim virtual e robôs

Em um capítulo sobre tele-jardinagem, um programa baseado na Web permitia às pessoas ativar remotamente um braço robótico para plantar e regar um jardim de verdade, localizado à distância.

O jardim podia ser observado e monitorado 24 horas por dia, por meio de uma webcam.

A única situação em que o experimento mostrou-se promissor foi quando os tele-jardineiros eram pacientes recuperando-se de uma cirurgia no hospital.

Kahn descreve também seus estudos com cães-robôs, como forma de avaliar como as pessoas, incluindo crianças pré-escolares e crianças com autismo, podem interagir com os robôs.

Embora as pessoas pareçam gostar do cão robótico, sentir uma conexão social com ele e atribuir-lhes estados mentais, elas não deram o passo seguinte, que ocorre no envolvimento moral que as pessoas têm com o cão biológico. "Elas podiam ignorá-lo sempre que era conveniente ou desejável fazê-lo".

Natureza complementar

Para o pesquisador, é um "absurdo" querer usar a tecnologia para trazer a natureza para dentro de casa, quando todo o esforço deve ser feito para projetar casas e ambientes urbanos abertos para a natureza.

"Eu acredito que a natureza tecnológica sempre resultará em uma experiência diminuída em relação ao seu equivalente natural," escreve Kahn já no capítulo final. "Se isto for verdade, então devemos empregar a natureza tecnológica como um extra sobre a natureza real, e não como seu substituto."


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