Cientistas brasileiros criam nervo artificial

Cientistas brasileiros criam um nervo artificial
O nervo artificial receberá 18 fatores de crescimento - substâncias sintetizadas, fabricadas pelo organismo, que proporcionam o desenvolvimento de um determinado tecido (osso, pele e nervo) e estimulam a reparação dos mesmos.
[Imagem: Jefferson Braga Silva]

Regeneração motora

Pesquisadores da PUC do Rio Grande do Sul, em parceria com a Universidade Montpellier, na França, criaram o protótipo de um nervo artificial, um sonho antigo na área médica.

O objetivo é criar um material absorvível pelo organismo que regenere o nervo periférico (fora da coluna vertebral) rompido por algum acidente ou trauma.

Experimentos com animais apontam uma recuperação funcional bastante adequada do ponto de vista motor e sensitivo.

Nervo artificial

Para construir o nervo artificial, os pesquisadores se inspiraram no nervo humano. A sua regeneração depende de nutrientes. "A dificuldade é a liberação gradual das substâncias, conforme as necessidades de cada etapa da recuperação", explica o Dr. Jefferson Braga Silva, coordenador da pesquisa.

O nervo artificial receberá, a princípio, 18 fatores de crescimento - substâncias sintetizadas, fabricadas pelo organismo, que proporcionam o desenvolvimento de um determinado tecido (osso, pele e nervo) e estimulam a reparação dos mesmos.

A ideia é utilizar a nanotecnologia, que envolve a construção de uma esfera em escala nanométrica, que carregue as substâncias até o ponto onde elas são necessárias e podem ser absorvidas.

De um tubo de silicone ao nervo artificial

Jefferson Braga trabalha no projeto desde 1995, unindo a clínica à investigação científica. Ele começou com um tubo de silicone, que passou a utilizar nas microcirurgias reconstrutivas.

Dez anos depois, agregou células-tronco à tecnologia, conquistando melhores resultados. As 28 pessoas submetidas à técnica até agora recuperaram a capacidade funcional, sensibilidade e motricidade.

As células-tronco utilizadas são retiradas da medula óssea dos próprios pacientes. Imaturas, elas não têm forma nem função definidas, apresentando grande capacidade de proliferação e de originar diferentes tipos celulares.

O cirurgião ainda está insatisfeito e se questiona de que forma poderá aumentar a recuperação funcional dos pacientes.

Falta de tecnologia

Outra questão é a falta de acesso à tecnologia. "Acredito que a universalização depende de uma tecnologia acessível, barata e de fácil utilização."

Segundo ele, mais do que falta de recursos, o País carece de pessoal especializado. "Precisamos ter algo que possa ser usado do Oiapoque ao Chuí, passando por Porto Alegre", comenta. O mais comum atualmente é que os cirurgiões realizem enxertos, retirando da perna para recolocar na parte afetada.

De Montpellier, participam da pesquisa as Faculdades francesas de Química, Medicina, Engenharia, Física e Eletrônica, além de duas empresas ligadas à universidade e duas suíças das áreas de nanotecnologia, equipamentos biomédicos e de engenharia de materiais.

Jefferson Braga relata que a falta de assistência em países em desenvolvimento faz muitos pacientes chegarem para cirurgia depois que o nervo já está retraído. "[No exterior,] os traumas e sequelas são menores porque quem se machuca se opera em três dias."

Testes do nervo artificial

Os exames clínicos com o nervo artificial envolverão 20 centros pelo mundo em países como Brasil (com os testes na PUCRS), França, Suíça e EUA.

Cada instituição selecionará 20 voluntários, seguindo critérios ainda a serem definidos. No total, haverá 400 participantes que indicarão se o nervo artificial poderá ser usado em larga escala.

"Disso dependem fatores como valores acessíveis, simplicidade e resultados satisfatórios", pondera o médico. Com a evolução, o projeto deverá gerar depósito de patente e impactará outras iniciativas. "Se criarmos o nervo artificial da forma como estamos realizando, abriremos uma porta enorme para as pesquisas em lesões de pele, ossos e cartilagens", projeta Jefferson Braga.


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