Nobel de Química premia estudo que levou à criação de antibióticos

Fábricas de proteínas

O Prêmio Nobel de Química de 2009 foi dividido por três cientistas: Venkatraman Ramakrishnan, Thomas Steitz e Ada Yonath. Os estudos realizados por eles sobre os ribossomos - estruturas celulares que fabricam proteínas - abriram caminhos para a produção de novos antibióticos.

Seus trabalhos foram os primeiros a mostrar imagens dos ribossomos com uma definição que permitia interpretar as posições atômicas da estrutura, facilitando o entendimento de sua conformação e funcionamento.

Alvo para antibióticos

Ribossomos produzem proteínas que, por sua vez, controlam a química em todos os organismos vivos. Hoje, os antibióticos curam várias doenças por meio do bloqueio da função dos ribossomos bacterianos. Se o ribossomo não funciona, a bactéria não pode sobreviver. É por isso que os ribossomos são um importante alvo para novos antibióticos.

Os três premiados explicaram, por meio de modelos tridimensionais, como o DNA é lido pela célula e mostraram o ribossomo em funcionamento, detalhando como vários antibióticos bloqueiam a função dos ribossomos nas bactérias e as desativam. Isso ajuda a entender como as bactérias criam resistência a remédios e contribui para desenvolver novas drogas.

Quem são os pesquisadores

Venkatraman Ramakrishnan, nascido na Índia (Chidambaram) em 1952 e naturalizado norte-americano, doutorou-se em Física, em 1976, pela Universidade de Ohio (EUA). Atualmente é cientista líder da divisão de estudos estruturais do Laboratório de Biologia Molecular MRC, em Cambridge, Reino Unido.

Thomas Steitz nasceu em 1940, em Milwaukee (EUA). Com doutorado em Biologia Molecular e Bioquímica pela Universidade de Harvard (EUA), é professor e pesquisador de Biofísica Molecular e Bioquímica do Instituto Médico Howard Hughes, na Universidade de Yale (EUA).

Ada Yonath, nascida em Jerusalém (Israel), em 1939, doutorou-se em 1968 em Cristalografia de Raios X no Instituto Weizmann de Ciência, em Rehovot (Israel). É professora de Biologia Estrutural e diretora do Centro Helen & Milton A. Kimmelman de Estruturas Biológicas e Biomoleculares do Instituto Weizmann. Yonath é a quarta mulher a vencer o Nobel de Química, e a primeira desde 1964, quando a britânica Dorothy Crofoot Hodgkin obteve o prêmio.

O prêmio Nobel de Química inclui um cheque de 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,4 milhão), um diploma, uma medalha de ouro e um convite para a cerimônia de entrega dos prêmios em Estocolmo, em 10 de dezembro.

Cristalografia de raios X

Em comunicado, a Real Academia de Ciências da Suécia afirma que um entendimento mais profundo do funcionamento do ribossomo é importante para a compreensão científica da vida e classifica o trabalho dos cientistas como fundamental para atenuar o sofrimento da humanidade.

Os três laureados deste ano utilizaram um método chamado cristalografia de raios X para mapear a posição de cada uma das centenas de milhares de átomos que formam o ribossomo.

A cristalografia com luz síncrotron é uma técnica que permite "enxergar" e descrever as moléculas de proteína, através do preciso posicionamento de cada um de seus átomos.

Estrutura molecular das proteínas

O Prêmio Nobel de Química de 1962 e 1987 já havia reconhecido o trabalho de outros cientistas que investigaram a estrutura molecular de proteínas. "O diferencial dos estudos selecionados em 2009 é o tamanho do problema que foi superado", diz Richard Charles Garratt, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).

Garratt, que utiliza a mesma técnica para identificar estrutura de outras proteínas, diz que, além dos pesquisadores terem superado uma dificuldade técnica chamada faseamento - que representava um obstáculo para a análise de proteínas de estruturas maiores - como é o caso do ribossomo, a grande conquista é o mapeamento do ribossomo, maquinaria fundamental para a vida em nível molecular.


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