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20/03/2015

Proposta nova classificação para câncer de próstata

Com informações da Agência Fapesp

Tratamentos desnecessários

Um novo sistema para classificar a agressividade dos tumores de próstata poderá orientar melhor os médicos na escolha do tratamento.

Desenvolvido pelo grupo do patologista Jonathan Epstein, da Universidade Johns Hopkins (EUA), o novo método - ainda sem nome oficial - poderá substituir o chamado Escore de Gleason, usado desde os anos 1960 e considerado em todo o mundo a principal ferramenta de avaliação do prognóstico de homens com tumores na próstata.

Na opinião de Epstein, o método tradicional de pontuação pode trazer problemas de interpretação da gravidade do tumor, levando a tratamentos desnecessários.

"O sistema que propomos é mais simples, com graus que variam de 1 a 5. Sendo tumores de grau 1 os mais indolentes, que requerem apenas vigilância ativa. Os de grau 5 são os mais agressivos, que necessitam de tratamento imediato e radical, como prostatectomia (retirada do órgão) e radioterapia", explicou Epstein.

Escore de Gleason

Segundo o médico, que representou no evento a Sociedade Internacional de Uropatologia, a proposta é usar a nova classificação inicialmente em conjunto com o Escore de Gleason, com o qual os médicos já estão acostumados.

Os dois sistemas são baseados na análise feita ao microscópio de uma amostra do tumor obtida por meio de biópsia. O patologista observa a arquitetura do tecido prostático e avalia o quanto ela ainda se parece com a de uma próstata sadia.

No caso do método Gleason, o relatório oferece um escore final que varia entre 2 e 10. Este resultado representa a soma de dois padrões que podem variar de 1 a 5 - quanto maior o número, menos a arquitetura do tecido se assemelha ao normal.

"O patologista, pelo método tradicional, observa qual é o padrão predominante na amostra e confere uma nota de 1 a 5. Depois avalia qual é o segundo padrão mais presente e confere uma segunda nota. O escore final de Gleason será a soma das duas notas. Mas há várias possibilidades de combinação para formar, por exemplo, um escore 7", explicou Fernando Augusto Soares, Diretor do Departamento de Anatomia Patológica do A.C. Camargo Cancer Center.

"Apenas escores acima de 6 na gradação de Gleason são considerados câncer, e mesmo um tumor de escore 6 é considerado bom e não necessita de tratamento. O problema é que o paciente pensa que seu tumor já está no meio da escala e isso causa um grande medo do câncer", disse Epstein.

7 Bom e 7 Mau

Outro problema apontado por Epstein é que um escore 7 - dependendo da soma realizada (2 + 5 ou 4 + 3, por exemplo) - pode representar tanto um tumor indolente quanto um tumor potencialmente agressivo.

"No caso de escores 8, 9 e 10 não há margem para dúvidas, é preciso tratar. Mas o 7 pode gerar confusão. No novo método que estamos propondo, tumores de grau 2 seriam o equivalente a um 'bom 7'. Tumores de grau 3 seriam o equivalente a um 'mau 7'. Depois temos os de grau 4 e 5 que são progressivamente mais perigosos. Colocando a nota final em uma escala mais apropriada, esperamos contribuir para diminuir o medo do câncer", disse Epstein.

A eficácia da metodologia foi testada e aprovada em um estudo multicêntrico com mais de 20 mil pacientes realizado nos Estados Unidos.


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