Novo Instituto do Câncer triplica vagas públicas exclusivas para tratamento da doença

Novo Instituto do Câncer triplica vagas públicas exclusivas para tratamento da doença

[Imagem: Agência Fapesp/divulgação]

Tratamento gratuito contra o câncer

Um dos maiores hospitais públicos especializados em tratamento de câncer da América Latina, o Instituto do Câncer de São Paulo foi inaugurado nesta terça-feira na capital paulista.

O instituto, que terá gestão da Universidade de São Paulo (USP) por meio da Fundação Faculdade de Medicina, irá atender pacientes de todo o Estado. A previsão é que, com o novo hospital, a cidade de São Paulo tenha três vezes mais vagas públicas exclusivas para tratamento de pacientes com câncer.

"Depois das doenças cardiovasculares, o câncer é hoje a segunda causa de morte no país. Além disso, há uma relação direta entre o envelhecimento da população e o aumento de incidência de câncer, que também está relacionada a diversos efeitos, sendo os principais o genético e o ambiental", disse Giovanni Guido Cerri, diretor-geral do instituto, à Agência FAPESP.

Aumento dos casos de câncer

Cerri destaca a forte tendência de aumento contínuo de novos casos da doença nas próximas duas décadas, o que poderá fazer com que o câncer se torne a primeira causa de morte por doenças no país.

"Atualmente, cerca de 100 mil casos novos são diagnosticados por ano só no Estado de São Paulo e há estimativas de que esse número cresça, até o fim da próxima década, para 130 mil. Essas informações justificam a criação de um instituto inteiramente voltado para o tratamento do câncer", afirmou o ex-conselheiro da FAPESP.

Hospital público contra o câncer

O governo do Estado tem hospitais dedicados a doenças cardiovasculares, como o Instituto do Coração (InCor) e o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, "mas, até agora, não tínhamos nenhum hospital público em São Paulo dedicado exclusivamente ao câncer. Esse será o primeiro em todo o Estado e o maior da América Latina", disse Cerri, que também é professor titular da Faculdade de Medicina da USP.

Com a inauguração, inicialmente o Instituto do Câncer de São Paulo oferecerá atendimento ambulatorial em oncologia clínica e ginecológica, quimioterapia e 12 leitos de UTI, além do pronto-atendimento e todas as unidades de apoio.

Até o fim do ano está prevista a ampliação do atendimento ambulatorial e início das internações clínicas e cirúrgicas. O hospital, que terá 580 leitos, deverá estar em pleno funcionamento até o fim de 2009, para realizar, por mês, cerca de 1,5 mil internações, 33 mil consultas ambulatoriais, 1,3 mil cirurgias, 6 mil sessões de quimioterapia e 420 de radioterapia.

Hospital-escola

Além do atendimento médico, os profissionais da instituição, caracterizada como um hospital-escola, desenvolverão atividades educacionais, visando a posicionar o instituto como um centro de referência internacional na área.

"Ao lado da assistência, o ensino e a pesquisa terão lugar de destaque no cotidiano do instituto, que será um importante centro formador de recursos humanos especializados em oncologia. Depois de formados, esses médicos, enfermeiros e farmacêuticos, entre outros profissionais da área da saúde, deverão servir hospitais de todo o país", disse Cerri.

Telemedicina

O hospital, que tem 28 pavimentos, conta ainda com uma sala cirúrgica inteligente, totalmente automatizada, que inclui o controle dos focos cirúrgicos, sistema de comando de voz e câmeras que permitem a transmissão em tempo real de cirurgias por videoconferência.

"Com o auxílio de ferramentas da telemedicina, o instituto pretende se envolver com programas focados nos aspectos preventivos do câncer. A idéia é que também sejamos um grande centro difusor de conhecimentos sobre a prevenção da doença", apontou.

Acelerador de partículas

O diretor-geral do instituto afirma ainda que uma importante linha de pesquisa a ser iniciada em breve, assim que um cíclotron (acelerador de partículas) for instalado, será o estudo de radioisótopos com aplicação em oncologia.

Radioisótopos são elementos químicos obtidos pela irradiação de elementos naturais. Ao serem inseridos no organismo, seja por via oral, venosa ou inalação, esses materiais radioativos auxiliam no diagnóstico precoce de vários tipos de câncer.

Imagens moleculares

"Nesse sentido, destacam-se os estudos na área de imagens moleculares, feitos a partir da utilização de radioisótopos obtidos pelo cíclotron, que no começo de 2009 estará em funcionamento. Essa é uma área de vanguarda que permite o diagnóstico do câncer em sua fase molecular, antes que o tumor apareça no organismo. Teremos no instituto um andar exclusivo para as pesquisas científicas", destacou Cerri.

O Instituto do Câncer Octavio Frias de Oliveira está localizado na avenida Doutor Arnaldo 251, em Cerqueira César, zona oeste de São Paulo.


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