Ondas cerebrais Princesa Leia ajudam a consolidar memórias

Ondas cerebrais Princesa Leia ajudam a consolidar memórias
As ondas circulares do sono se organizam de forma parecida ao penteado da Princesa Leia, de Guerra nas Estrelas.
[Imagem: Salk Institute]

Penteado neural

As ondas "Princesa Leia" ao redor do cérebro só foram descobertas há poucos meses, e já estão trazendo novidades para o campo das neurociências.

Toda noite, enquanto você dorme, ondas elétricas de atividade cerebral circulam em torno de cada lado do seu cérebro, traçando um padrão que se parece com o característico penteado da Princesa Leia, de Guerra nas Estrelas.

A equipe que as descobriu acredita que essas ondas circulares são responsáveis pela formação de associações entre diferentes aspectos das memórias registradas durante o dia.

Comunicação entre neurônios

Agora, Terrence Sejnowski e Lyle Muller, do Instituto Salk (EUA), traçaram um quadro mais amplo dessas ondas por meio de gravações em grande escala, chamadas eletrocorticogramas intracranianos (ECoGs), exames que podem medir a atividade em muitas áreas do cérebro de uma só vez.

Os resultados deixaram os pesquisadores surpresos: as ondas giratórias não atingem o pico simultaneamente em todo o córtex. Em vez disso, as oscilações "dançam" em padrões circulares em volta e ao redor do neocórtex, atingindo o pico em uma área e, em seguida, alguns milissegundos depois, em uma área adjacente.

Ao longo da noite, os mesmos padrões de rotação, cada um durando cerca de 70 milissegundos, se repetem centenas e centenas de vezes em questão de horas.

"Acreditamos que esta organização da atividade cerebral está fazendo com que os neurônios [de uma área] falem com os neurônios de outras áreas," disse Muller. "A escala temporal que estas ondas viajam é a mesma velocidade que leva para os neurônios se comunicarem uns com os outros."

Isto é radicalmente diferente da comunicação direta neurônio a neurônio, feita por meio das sinapses, que são essencialmente conexões iônicas - troca de "dados" por meio de íons.

Alinhavando as memórias

Mas por que diferentes áreas do neocórtex precisam se comunicar para armazenar memórias?

A teoria mais aceita atualmente é que cada memória é formada por diferentes componentes (cheiro, som, visual etc.), que são armazenados em diferentes áreas do córtex. A hipótese de Muller e Sejnowski é que, quando uma memória está sendo consolidada, as ondas de sono circulares ajudam a formar as conexões entre estes diferentes aspectos de uma única memória.

Os resultados foram publicados na revista eLife.


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