Forma de atuação dos opioides é diferente do que cientistas defendiam

Opioides não funcionam como cientistas defendiam
Micrografia de fluorescência de um neurônio mostrando a ativação do receptor opioide detectada pelo novo biossensor imediatamente antes (esquerda) e 20 segundos depois (direita) da aplicação de morfina. A seta aponta para o aparelho de Golgi, uma estrutura dentro da célula onde os receptores são ativados.
[Imagem: Miriam Stoeber/Damien Jullié]

Teorias erradas, risco de morte

Fica cada vez mais claro por que os medicamentos opiáceos, ou opioides, usados no tratamento da dor, se tornaram uma epidemia responsável por milhares de mortes por overdose e mau uso em todo o mundo: Porque os cientistas simplesmente não sabem adequadamente como eles funcionam.

Alguns pesquisadores já haviam alertado que não há evidências científicas suficientes para o uso dos medicamentos opioides. No ano passado, uma equipe alemã mostrou que os opioides não são mediados exclusivamente pelos receptores no cérebro, mas também através da ativação de receptores nas células imunológicas.

Agora, a equipe da Dra Nora Volkow, do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA) dos EUA descobriu que, ao contrário do que os cientistas acreditavam, opioides como a morfina e a oxicodona atuam também dentro dos neurônios.

Teorias corretas, melhores medicamentos

O saber científico estabelecido afirma que os opioides, usados no tratamento da dor, atuariam apenas nos mesmos receptores superficiais que os opioides endógenos, que são produzidos naturalmente pelo cérebro.

O que se descobriu agora é que os polêmicos medicamentos produzem seus efeitos ligando-se a receptores dentro dos neurônios. Quando os pesquisadores usaram uma nova sonda molecular para testar os medicamentos, eles descobriram que os opioides usados clinicamente também se ligam a receptores que não são alvo para os opioides naturais do corpo. E isso faz uma grande diferença.

Essa diferença entre a forma como os medicamentos opioides e os opioides naturais interagem com as células nervosas pode ajudar a desenvolver analgésicos que não produzam dependência ou outros efeitos adversos, como os produzidos pela morfina e outros medicamentos opioides, escreve a equipe em seu artigo, publicado na revista Neuron.

"Este estudo inovador revelou distinções importantes entre os opioides que o nosso cérebro produz naturalmente e os opioides terapêuticos que podem ser mal utilizados," disse a Dra Nora. "Esta informação pode usada para entender melhor os potenciais efeitos adversos dos opioides prescritos pela medicina e como manipular o sistema endógeno para alcançar ótimos resultados terapêuticos sem os efeitos colaterais prejudiciais da tolerância, dependência ou vício."


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