Pais devem monitorar, e não proibir, uso de videogames e internet

Riscos do excesso de videogames

Dores de cabeça, obesidade, distúrbios do sono, agressividade e dores no pescoço ou nos ombros. São inúmeros os riscos que o uso abusivo da diversão eletrônica, tais como a internet e os videogames, podem provocar nas crianças e adolescentes.

Mesmo assim, os pais não devem privar seus filhos do contato com a tecnologia atual. Essa é a opinião da pediatra Susana Graciela Bruno Estefenon, coordenadora do Projeto de Saúde da Geração Digital e uma das organizadoras do livro Geração Digital - Riscos e Benefícios das Novas Tecnologias para as Crianças e os Adolescentes.

"Jogar videogame tem muitos benefícios: aumenta a coordenação motora e o raciocínio rápido e é uma forma de lazer, um divertimento espetacular. Mas muitas horas exposto à tela do videogame ou muitas horas privado de atividades ao ar livre trazem riscos e muitos", afirmou Susana, em entrevista à Agência Brasil.

Tempo ideal para usar o computador

Segundo ela, o ideal é que os pais conheçam os jogos de videogame e os ofereçam de acordo com a maturidade da criança. Também é importante que se limite o tempo que a criança vá passar jogando. O tempo ideal, segundo ela, pode ser fixado em duas horas por dia - prazo que também pode ser parâmetro para o uso da internet e da televisão.

Susana lembrou que não são somente riscos à saúde que podem trazer preocupações aos pais. Há também os de ordem sexual, tais como a pedofilia, a sedução e o abuso e a exploração sexual.

"Não podemos proibir uma criança de acessar a internet. Mas, nesse caso, falamos em monitoramento dos pais. Falamos também de pôr filtros de segurança contra a pornografia. Pornografia para crianças nunca é algo bom porque estimula a libido fora da idade a que elas estariam preparadas", disse.

Monitorando o acesso

De acordo com Susana, para evitar que os filhos possam acessar conteúdos inadequados ou pornográficos na internet ou serem vítimas de violência na rede, os pais devem também monitorar o acesso. "Os computadores devem ser colocados dentro de um lugar de convívio comum. Uma criança não deve ter sua própria conta de email, mas a da família. E os pais devem orientar seus filhos sobre o perigo que pode representar navegar na internet e dar seus próprios dados", aconselhou.

A médica lembra que o importante é que os pais não deixem os filhos sozinhos acessando a internet, mesmo que se tenha selecionado uma página com conteúdo infantil.

"Algumas vezes, a criança é achada. Você pode pensar: vou deixá-la porque esse é um site saudável, de brincadeiras. Mas muitos predadores sexuais procuram sites saudáveis, fora de qualquer suspeita, para achar a criança vulnerável. E eles entram se identificando como outra criança ou como conselheiro para criar um vínculo com essas crianças que estão sozinhas", alertou.

Diálogo entre pais e filhos

Para ela, somente o diálogo entre pais e filhos poderá evitar riscos no uso dessas tecnologias pelas crianças. "A tecnologia faz parte de nossas vidas. Nós, adultos, desfrutamos plenamente de tudo o que ela nos oferece. Então, não podemos pensar e nem pretender que nossas crianças fiquem isoladas disso. O caminho é muito fácil, é compartilhar. Compartilhar com os filhos e com a família toda. Ao invés de ser um motivo de isolamento familiar, pode ser uma ferramenta de vínculo familiar. O caminho mais seguro ao futuro é a utilização das novas tecnologias como ferramenta de vínculo familiar e social."


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