Pesquisas em saúde ambiental são feitas por 670 grupos no Brasil

Pesquisas em saúde ambiental são feitas por 670 grupos no Brasil
Pesquisadores consideram fundamental a interface dos grupos de saúde ambiental com os de planejamento urbano e regional.
[Imagem: Fiocruz]

Saúde ambiental

O Brasil conta com 670 grupos trabalhando em todo o país na questão da saúde ambiental. Este resultado foi obtido a partir do projeto Quem é quem na saúde ambiental brasileira? - Identificação e caracterização das iniciativas nas instituições acadêmicas e nas organizações da sociedade civil, coordenado pelo pesquisador Carlos Machado de Freitas, do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/Fiocruz).

O objetivo do projeto é fortalecer a área da saúde ambiental por meio da identificação e da caracterização de grupos em condições de contribuir tanto para o fortalecimento das bases técnicas e científicas quanto para o diálogo com a sociedade civil organizada. A equipe envolvida com o projeto é composta, ainda, por Gabriel Eduardo Schultz, Valéria Andrade Bertolini e Francisco Franco Netto.

Segundo o coordenador, o projeto surgiu em 2008 a partir de uma demanda do Ministério da Saúde, com recursos do Fundo Nacional de Saúde, complementando um trabalho que já havia sido concluído em 2006, o Inventário Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental no Brasil. Este contém dados sobre a inserção da vigilância em saúde ambiental nos estados e capitais do país.

Inventário

"Como a Coordenação da Vigilância em Saúde Ambiental (CGVAM) já tinha as identificações das iniciativas em termos de estados e municípios, o Quem é quem passa a ser um complemento desse inventário", destaca Carlos Machado. Os dados do novo projeto serão disponibilizados na internet, transformando-se numa importante ferramenta de informação e identificação no campo da vigilância ambiental, de forma a auxiliar todos os atores direta e indiretamente envolvidos com a 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental, que acontecerá de 15 a 18 de dezembro, em Brasília.

"Fizemos uma pesquisa, a partir de uma ficha pré-estabelecida, procurando identificar o máximo de informações a respeito dos grupos de pesquisa e das organizações da sociedade civil. Em termos de resultados, levantamos informações dos grupos de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e na Associação Brasileira de Organizações Não-governamentais (Abong), bem como no Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS) e na Rede Brasileira de Justiça Ambiental", conta Caros Machado.

Maioria dos pesquisadores estão nas regiões Sudeste e Sul

Ao todo, foram identificados 489 grupos de pesquisa no CNPq e 181 das organizações da sociedade civil, totalizando 670 grupos que trabalham no país com a questão da saúde ambiental. "O primeiro dado interessante que constatamos é que o boom das organizações da sociedade civil ocorreu no final da década de 80 e início dos anos 90, período no qual a questão ambiental estava em alta. Já os grupos de pesquisa do CNPq começaram a se expandir a partir de 2000, porque a Plataforma Lattes ganha uma maior dimensão no final dos anos 90, estimulando a proliferação dos grupos, além da ampliação de financiamento e dos programas de pós-graduação em todas as áreas", explica Carlos Machado.

Os grupos de pesquisa foram escolhidos de acordo com as áreas do CNPq. A saúde coletiva é a que mais conta com grupos formados: são, ao todo, 120. Em segundo lugar, aparece a área de pesquisa educação, com 31 grupos. "A saúde coletiva teve um maior número de grupos trabalhando com saúde e ambiente, e sustentabilidade. Mas, quando analisamos a busca por desenvolvimento sustentável e sustentabilidade, apareceram mais grupos nas ciências humanas, de modo geral. Eu diria que, nas ciências sociais e humanas, trabalha-se muito mais com os temas relacionados à sustentabilidade do que nas áreas de ecologia ou saúde coletiva", diz o coordenador.

Articulação nas pesquisas

Para o pesquisador, os resultados mostram que as organizações da sociedade civil atuam muito mais em rede e com base em problemas do que os grupos de pesquisa. Para os grupos de pesquisa, identificou-se a necessidade de maior articulação e interface entre os mesmos nas diferentes áreas. "Se considerarmos que 81% da população brasileira vivem em áreas urbanas, a interface com o grupo de planejamento urbano e regional é fundamental. A regionalização em saúde vem surgindo como um problema", destaca Carlos Machado.

Já a análise das organizações da sociedade civil foi mais diferenciada, uma vez que cada uma delas trabalha com formas de organização temáticas diferentes umas das outras. No caso da Abong, temas como agricultura, movimentos populares, justiça e promoção de direitos ou questões agrárias contam com, pelo menos, uma ONG trabalhando com a interface da saúde. Já na FBOMS, a questão da saúde aparece de modo direto e indireto, seja por meio da Agenda 21, água, clima, energia ou floresta. Por fim, a Rede Brasileira de Justiça Ambiental trabalha com bancos temáticos sobre atividades geradoras de injustiça ambiental, eixos de luta, experiências, ações e mobilizações propositivas de entidades e grupos em torno de conflitos socioambientais, entre outros.

Os resultados analisados do projeto Quem é quem revelam, segundo o coordenador, que "os dois grupos de atores envolvidos com a saúde ambiental - os grupos de pesquisa e as organizações da sociedade civil - envolvem especialistas e não especialistas, governamentais e não-governamentais, além de uma comunidade ampliada de pares capaz de combinar políticas, conhecimentos, tecnologias e ações para compreensão e busca de soluções integradas e contextualizadas para a constituição da saúde como pré-requisito e resultado do bem-estar e da vida plena em um mundo mais justo, saudável e sustentável".


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