Planta da Mata Atlântica é 10 vezes mais eficaz contra parasitas

Planta da Mata Atlântica é 10 vezes mais eficaz contra parasitas
Composto da pariparoba-murta é contra os protozoários causadores da doença de Chagas e da leishmaniose visceral.
[Imagem: FAPESP/Divulgação]

Pariparoba-murta

Um princípio ativo encontrado nas plantas da espécie Piper malacophyllum, popularmente conhecida como pariparoba-murta, apresentou uma atividade antiparasitária até 10 vezes maior do que os remédios mais usados atualmente contra os protozoários causadores da doença de Chagas e da leishmaniose visceral.

Com resultados tão animadores obtidos em ensaios de laboratório, os pesquisadores já começaram a sintetizar as moléculas com vistas ao desenvolvimento de novos medicamentos.

"Foi identificado nessa planta um composto com ação antiparasitária chamado gibilimbol e nosso grupo já sintetizou mais de 15 análogos. Fizemos pequenas modificações na estrutura da molécula com o objetivo de aumentar sua eficácia," contou o professor João Paulo Fernandes, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Gibilimbol

Quem descobriu as moléculas na pariparoba-murta foi Marina Themoteo Varela, que trabalha com o professor João Henrique Lago em busca de compostos com ação antiparasitária em plantas da Mata Atlântica. Com os resultados promissores, uma equipe do Instituto Adolfo Lutz começou a ajudar nos testes.

Os primeiros ensaios in vitro - em células cultivadas em laboratório -, feitos ainda com os compostos naturais, indicaram que o gibilimbol B é mais eficaz contra os parasitas do que o gibilimbol A.

"Quando estudamos a estrutura química das duas moléculas, observamos que a única diferença entre elas era a posição de uma dupla ligação - que na molécula B fica mais próxima do anel aromático. Então sintetizamos análogos buscando inserir outros substituintes próximos do anel e grupos funcionais adicionais que pudessem realizar interações específicas com as células dos parasitas e, assim, aumentar a atividade", contou o professor João Paulo.

Análogos sintéticos

Segundo o pesquisador, alguns dos análogos sintéticos se mostraram mais eficazes para matar os parasitas do que os compostos naturais. A molécula mais promissora tem sido chamada pelos pesquisadores de LINS03003.

"Os compostos parecem bem promissores, pois são pequenos, fáceis de sintetizar e sua estrutura química indica baixa toxicidade. Mas somente após os primeiros testes em animais poderemos ter certeza de como eles se comportam no organismo, ou seja, como são metabolizados, se conseguem chegar até o parasita, entre outros fatores", ponderou João Paulo.


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