Prevenção de AVC acima dos 80 anos não faz sentido, diz médico

Pessoas na faixa dos 80 anos de idade estão recebendo receitas de medicamentos para evitar derrames quando o risco de um acidente vascular cerebral não é tão alto e as drogas apresentam vários efeitos colaterais.

Por isso, os médicos precisam repensar os padrões de prescrição para os pacientes dessa faixa etária, alerta o Dr. Kit Byatt, em um artigo publicado na revista científica Evidence Based Medicine.

Segundo ele, as pessoas nesta faixa etária estão sendo "sobre-tratadas" e os médicos precisam repensar ativamente suas prioridades e crenças sobre a prevenção do AVC.

Estatinas e anti-hipertensivos

As estatinas e os medicamentos anti-hipertensivos são as drogas cardiovasculares prescritas em maior escala. E elas são amplamente prescritas para os pacientes na faixa dos 80 anos com o argumento de que esses medicamentos diminuem riscos de derrame.

Ocorre que as pesquisas mostram que, nessa faixa etária, a pressão arterial elevada não é um fator de risco chave, e o colesterol alto tem pouco efeito sobre o risco de acidente vascular cerebral em geral, diz o Dr. Byatt.

Ele ressalta que os maiores ensaios clínicos de terapias anti-hipertensivas e estatinas para pessoas nessa faixa etária têm mostrado apenas uma redução marginal no AVC e reduções muito modestas em outros eventos cardiovasculares.

A maioria dos pacientes mais velhos provavelmente rejeitaria o modesto benefício potencial conferido por estes medicamentos, em favor de tomar menos medicamentos todos os dias e não ter que aturar os seus possíveis efeitos colaterais, disse o médico.

"Será que sequer deveríamos usar esses medicamentos em pacientes idosos frágeis com multimorbidades? Precisamos repensar ativamente as nossas prioridades e crenças sobre a prevenção do AVC, informando e levando em conta os pontos de vista da pessoa-chave, o paciente," insiste ele.


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