Produtos químicos de piscinas cobertas aumentam risco de câncer

Genotoxicidade

Nadar em piscinas cobertas com água tratada com cloro ou bromo pode induzir a genotoxicidade, danos ao DNA que podem levar ao câncer, bem como problemas respiratórios.

Mas os efeitos positivos da natação para a saúde podem ser preservados com a simples redução dos níveis de substâncias químicas usadas no tratamento da água das piscinas.

A conclusão é de um novo estudo que gerou a publicação simultânea de três artigos científicos na revista científica Environmental Health Perspectives.

Subprodutos da desinfecção

Este estudo é o primeiro a apresentar uma caracterização global dos subprodutos da desinfecção em piscinas cobertas - ou piscina indoor, que não está ao ar livre.

Os subprodutos da desinfecção formam-se na água da piscina a partir de reações entre desinfectantes, como o cloro ou o bromo, e a matéria orgânica que pode estar presente naturalmente na água ou é introduzida pelos nadadores, como suor, células da pele e urina.

Foi também a primeira vez que se estudou a genotoxicidade gerada pela exposição a estas substâncias químicas entre os nadadores em piscinas com água tratada.

Estudos epidemiológicos anteriores encontraram uma associação entre a exposição aos subprodutos da desinfecção na água potável e o risco de câncer da bexiga. Um desses estudos encontrou essa associação na exposição inalatória ou no contato com a pele, como ocorre durante as duchas, o banho ou a natação.

Mutações genéticas

O novo estudo fez uma investigação mais detalhada dos subprodutos da desinfecção e das mutações genéticas induzidas por amostras de água coletadas em duas piscinas cobertas, uma desinfectada com cloro e outra com bromo.

As evidências de efeitos genotóxicos foram encontradas em 49 adultos saudáveis depois que eles nadaram durante 40 minutos na piscina.

Especificamente, os pesquisadores encontraram aumentos de dois biomarcadores de genotoxicidade associados com a concentração dos tipos mais comuns de subprodutos da desinfecção no ar expirado, que foi utilizado para medir a exposição dos banhistas aos produtos.

Os biomarcadores aumentados foram os micronúcleos nos linfócitos do sangue, que têm sido associados com o risco de câncer em indivíduos saudáveis, e a mutagenicidade da urina, que é um biomarcador de exposição a agentes genotóxicos.

Problemas respiratórios

Foram feitas também medições detalhadas dos subprodutos da desinfecção (trihalometanos) no ar ao redor da piscina e no ar exalado pelos nadadores antes e após o banho. Os cientistas mediram diversos biomarcadores de efeitos respiratórios após o nado e encontraram alterações em apenas um - um ligeiro aumento no CC16, o que sugere um aumento da permeabilidade do epitélio pulmonar.

Este resultado foi explicado pelos efeitos do próprio exercício, bem como pela exposição a subprodutos da desinfecção. Mais pesquisas serão necessárias para mensurar a relevância clínica dessa alteração aguda, segundo os cientistas.

Além disso, os autores do estudo identificaram mais de 100 subprodutos da desinfecção nas águas das piscinas, alguns deles nunca relatados anteriormente.

Ensaios in vitro mostraram que a água da piscina causa mutações genéticas em níveis semelhantes aos da água potável também tratada, mas foi mais citotóxica, podendo matar células em uma concentração mais baixa.


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