Brasil desponta mundialmente na área de Proteômica

Brasil desponta mundialmente na área de Proteômica
Ao contrário do genoma, que é estático, o proteoma é extremamente dinâmico. Ele se modifica de acordo com as condições e estímulos a que o organismo é exposto.
[Imagem: Divulgação]

Especial Brasil

Nem futebol, nem carnaval. O Brasil poderá ser considerado em breve "o país da proteômica", destaca o editorial de outubro da revista Proteomics, uma das publicações com maior fator de impacto na área.

Além da bandeira verde e amarela na capa, a edição especial, intitulada "Proteomics in Brazil", traz 16 artigos de pesquisadores brasileiros. A organização é de Daniel Martins de Souza, atualmente trabalhando como pesquisador associado no Instituto Max Planck de Psiquiatria e na Universidade Ludwig Maximilians, na Alemanha.

"É a primeira vez que a revista dedica uma edição inteira a um país", contou Daniel. A ideia de fazer uma publicação temática partiu do próprio pesquisador e foi bem recebida pelo editor-chefe, Michael Dunn.

"Dunn me disse que o número de artigos enviados por brasileiros tem crescido, então sugeri fazer um especial só com pesquisas do país. Ele concordou e me convidou para coordenar a edição", contou Daniel.

O que é proteômica

A proteômica é um campo de estudo relativamente novo, que surgiu nos anos 1990 a partir do conceito de genoma.

"Ela se dedica a investigar o proteoma, ou seja, o conjunto de proteínas expressas por uma célula, tecido ou ser, em um dado momento, em uma dada condição, sob o comando do genoma", explicou Daniel.

Mas ao contrário do genoma, que é estático, o proteoma é extremamente dinâmico. Ele se modifica de acordo com as condições e estímulos a que o organismo é exposto.

"Entender como a expressão das proteínas se altera por causa de uma doença, por exemplo, permite compreender melhor as vias bioquímicas envolvidas, encontrar potenciais biomarcadores e tratamentos mais direcionados", afirmou o pesquisador.

Proteômica no Brasil

O Brasil tem acompanhado o crescimento mundial das pesquisas na área, com uma produção científica bastante diversificada, segundo a avaliação de Daniel. No editorial, o pesquisador lembra que os primeiros passos foram dados ainda nos anos 1980, por profissionais que trabalhavam com química de proteínas e espectrometria de massas.

"Os centros pioneiros foram a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Hoje se destaca a Rede Proteômica do Rio de Janeiro, composta por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fiocruz. Faz-se também proteômica no Instituto Butantã, na Universidade de São Paulo (USP) e no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS)", comentou.

Graças ao trabalho desses grupos, afirmou Daniel no editorial, o país ganhou massa crítica suficiente para criar a Sociedade Proteômica Brasileira. A inauguração da entidade deve ocorrer ainda em 2012 sob liderança de Gilberto Domont, da UFRJ.

Diversidade proteômica

Os artigos selecionados para a edição temática da Proteomics são, de acordo com Daniel, tão variados quanto as pesquisas realizadas no Brasil. "Há trabalhos relacionados a câncer, esclerose múltipla, resistência à insulina, células-tronco de cordão umbilical, pragas agrícolas e até estudos mais funcionais, sobre interação e estrutura de proteínas", contou.

O texto de abertura é um artigo opinativo, no qual os pesquisadores Magno Junqueira, da UnB, e Paulo Costa Carvalho, da Fiocruz, falam sobre os desafios de explorar a rica biodiversidade brasileira por meio de técnicas proteômicas.

Em outro trabalho assinado por cientistas da Unicamp e da Fiocruz, um modelo animal é usado para estudar as proteínas expressas em uma situação de exaustão física. "A ideia é descobrir marcadores proteicos que indiquem quando um atleta está prestes a desenvolver uma lesão por esforço excessivo", explicou Daniel.

Já a imagem do copo de leite em destaque na capa da revista faz referência a uma pesquisa realizada na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, em parceria com a Unicamp e com a empresa alemã Bruker Daltonics.

"Os autores desenvolveram um método que identifica bactérias presentes no leite por meio de proteínas ribossomais, ou seja, sem a necessidade de cultivo", contou Daniel.

E como a questão das doenças negligenciadas não podia faltar, pesquisadores da Fiocruz do Paraná publicaram um estudo proteômico do Trypanosoma cruzi, protozoário causador da doença de Chagas. No trabalho, foram identificadas proteínas importantes para o processo de diferenciação do parasita e para a infecção do hospedeiro.


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