A complicada relação entre religião e preconceito

A complicada relação entre religião e preconceito
O problema parece estar entre as pessoas que se ocupam com o lado externo da religião, e não exatamente com a sua crença.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Igreja como trampolim

O nível de devoção que se sente em relação às crenças religiosas tradicionais pode ser usado para prever como a pessoa irá interagir com membros do seu próprio grupo ou com membros fora do seu grupo.

Isso pode até parecer bem natural. Mas o que impressiona é que a interação com os outros e os preconceitos em relação a esses outros parece seguir o caminho oposto que muitos podem esperar de uma pessoa declaradamente religiosa.

Uma pesquisa realizada nos EUA e na Jamaica mostrou que pessoas cujas crenças religiosas são extrínsecas e que frequentam regularmente a igreja são mais propensas a manter atitudes hostis em relação às pessoas de fora do seu grupo social.

É importante ressaltar que o resultado inesperado foi obtido junto às pessoas religiosas do ponto de vista social, aquelas que se apresentam como membros de uma entidade religiosa, mas que frequentemente usam a religião como forma de atingir objetivos não-religiosos, como alcançar status ou ganhar acesso a um grupo social.

"Não são os verdadeiros crentes que são o problema. São as pessoas que usam a religião, talvez de maneira cínica, para promover seus objetivos," explica Robert Lynch, professor de antropologia da Universidade de Missouri-Columbia.

Crença profunda e faceta social da religião

O professor Lynch diz que seus resultados sugerem que as crenças e os aspectos sociais subjacentes à religião têm efeitos distintos sobre as atitudes dentro e entre os grupos.

Por exemplo, as crenças religiosas estão positivamente associadas com a vontade de se sacrificar pelas próprias crenças e uma maior tolerância aos outros, normalmente referidos como "o próximo". Por outro lado, as facetas sociais da religião, como o comparecimento aos cultos, promovem maior hostilidade em relação às pessoas fora do grupo, que são vistas como "distantes".

"Tomados como um todo, esses resultados apontam para uma visão geralmente otimista da capacidade de as crenças religiosas gerarem compaixão, e uma visão mais escura sobre as atividades sociais que promovem a coesão do grupo, o que também pode produzir o ódio aos outros," disse Lynch.

Estado Islâmico e Al Qaeda

O antropólogo afirma que uma maneira de visualizar esse problema é comparar o Estado Islâmico com a Al Qaeda.

Ele afirma que o Estado Islâmico é composto principalmente de ex-generais iraquianos que serviram sob Saddam Hussein e não são particularmente religiosos. Os membros dessa organização rotineiramente matam membros de seu próprio grupo, bem como indivíduos fora de seu grupo (ambos sunitas e xiitas). Um dos principais objetivos do Estado Islâmico é expandir seu território, e muitas vezes usa um pretexto religioso para atingir seus objetivos.

Por outro lado, a Al Qaeda, uma organização muçulmana sunita criada em 1988 para combater a invasão soviética do Afeganistão, normalmente não mata muçulmanos. O professor Lynch afirma que "membros da Al Qaeda são verdadeiros crentes que gostam dos membros de seu próprio grupo e não são tão hostis a grupos externos".

Seus resultados foram publicados na revista Evolutionary Psychology Science.


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