Você é um adepto da Religião da Saúde?

Você é um adepto da Religião da Saúde?
A "Religião da Saúde" tem seu próprio templo e seus rituais.
[Imagem: Halmstad University]

Religião da Saúde

Será que é plausível considerar que a busca pela saúde e pelo corpo perfeito se transformou em uma religião?

Para Britta Pelters (Universidade de Halmstad) e Barbro Wijma (Universidade de Linkoping), na Suécia, a resposta é um firme e forte sim!

Eles concluíram que a "comunidade" ligada à manutenção da saúde que se instalou na sociedade atual reúne todos os critérios para ser considerada uma religião.

"Nós nos referimos à sociologia da religião de [H. Y.] Vanderpool, que inclui uma lista abrangente de dez características religiosas, que aplicamos às características da religião institucionalizada da saúde nas sociedades ocidentais. Durante o estudo, descobrimos que a abordagem atual para a saúde se encaixa em todas as dez características," resumiu Britta Pelters.

A saúde divina

Em uma religião deve haver algo sagrado que seja extraordinário e existencialmente significativo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a saúde como "um estado de completo bem-estar físico, mental e social".

"Esta definição retrata a imagem de saúde perfeita e pode ser vista como um princípio divino. Pela busca da saúde, as pessoas têm o controle de alguma coisa, ou ao menos pensam que têm. Assim, a saúde preenche a necessidade de apoio tranquilizador da mesma forma que uma força divina," disse Pelters.

Ao mesmo tempo, o sentimento de controle pode ir longe demais, o que leva ao desapontamento e, algumas vezes, à vergonha - do próprio corpo, por exemplo, durante uma doença.

"Muitas pessoas ficam chateadas se sofrem com uma doença, uma vez que sentem que cumpriram todas as suas obrigações para obter um corpo saudável - elas têm feito atividades físicas, comido direito e dormido bem e etc. Não é incomum que as pessoas pensem que seu corpo as traiu," acrescentou.

Sacerdócio da saúde

Há também os representantes do ideal que podem ser interpretados como uma forma de sacerdócio. Os exemplos incluem blogueiros de saúde e cientistas da saúde que gostam de compartilhar - ou pregar - sobre dicas de saúde, como dietas especiais e técnicas de bem-estar.

"Pode ser que nem sempre as pessoas querem ser percebidas como 'sacerdotes da saúde', mas o papel pode ser facilmente atribuído [a elas]," disse a pesquisadora.

Outro fator religioso característico é uma visão de mundo abrangente. Os pesquisadores argumentam que, na "sociedade da saúde" ocidental, nossos genes são o que conecta tudo o que está relacionado à saúde.

"É a ideia de que os genes, com suas oportunidades e riscos incorporados, tornam possível que as pessoas encontrem seu lugar, propósito e destino em nossa comunidade de promoção da saúde e prevenção de doenças. A promessa implícita - boa saúde leva a uma boa vida - tornou-se moralmente carregada e leva consigo um sentido de dever," resumiu Pelters.

Você é um adepto da Religião da Saúde?
O entrelaçamento parece ser real, uma vez que as intervenções espirituais e religiosas na saúde são benéficas. Por exemplo, a espiritualidade melhora a saúde independentemente da religião do paciente, o que tem ajudado a reatar os laços entre espiritualidade e Medicina.
[Imagem: Arouck/Wikimedia]

Aumento dos riscos

Mostrar que você tem uma saúde perfeita também é uma maneira de se apresentar ao mundo como uma pessoa capaz e de valor.

Os pesquisadores acreditam que isso explica porque a religião da saúde prevalece principalmente na classe média, uma vez que este grupo frequentemente sente necessidade de se apresentar como pessoas de alto desempenho. Para essas pessoas, fazer uma viagem para cuidar da saúde pode transmitir a imagem de fazer uma viagem de classe.

"Mas, quando a saúde também se torna uma questão de classe, isso envolve um risco para aqueles que não se encaixam no modelo saudável. Em uma 'sociedade da religião da saúde', suas personalidades podem ser julgadas pelo seu peso," acrescentou Pelters.

Templos e rituais

Na religião da saúde, as academias são os locais icônicos que simbolizam os valores, as expectativas e as obrigações daqueles que partilham da crença na saúde. Assim, defendem os pesquisadores, as academias podem ser vistas como "templos da aptidão física" e servirem como lugares para adorar o corpo por meio do treinamento - rituais são também algo que caracteriza uma religião.

"A academia está repleta de rituais, com tudo, desde programas de treinamento a serem seguidos em detalhes até alguém que sempre compra um certo tipo de bebida energética antes do treino," comparou Pelters.

A pesquisadora afirmou ter esperança de que fazer com que as pessoas tenham consciência desta visão religiosa pode tanto colocar o tópico da saúde em sua real dimensão, como fornecer novas abordagens para os cientistas da saúde que trabalham em diferentes organizações.

O artigo descrevendo as conclusões, intitulado "Nem um pecador nem um santo: A saúde como uma religião na era da saúde", foi publicado na revista Social Theory & Health.


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