Sabedoria das Multidões: popularidade pode vencer ignorância das massas

In crowd wisdom, the 'surprisingly popular' answer can trump ignorance of the masses
Surpreendentemente, a resposta correta é aquela que as pessoas preveem que será a mais popular, e não a que elas acham correta.
[Imagem: Julia Kuhl]

Sabedoria das massas

Sabedoria de multidão: este é o termo que os sociólogos dão para o resultado de fenômenos de massa, como as eleições ou as votações online, onde as respostas geralmente são consideradas melhores do que as melhores respostas de qualquer participante individual.

A teoria era que a sabedoria de multidão emerge porque esses processos agregam múltiplas perspectivas sobre o problema em questão - mas isso era antes da internet.

Ignorância das massas

Contudo, os processos mais recentes, contando com uma facilidade de proliferação de informações sem precedentes na história da humanidade, têm mostrado que os métodos democráticos tradicionais tendem a favorecer a informação mais popular, e não necessariamente a mais correta.

Com isso, a "ignorância das massas" pode sobrepujar uma parcela mais experiente da população, detentora de informações especializadas e mais abalizadas sobre um tópico, fazendo com que uma resposta errada torne-se a mais aceita e, portanto, a vencedora.

Para tentar dar mais peso a informações corretas, que podem não ser amplamente conhecidas, pesquisadores da Universidade de Princeton e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) desenvolveram o que eles chamam de um "algoritmo do surpreendentemente popular".

A técnica se baseia em perguntar às pessoas duas coisas sobre a questão que estiver em pauta: "Qual você acha que é a resposta correta?", e "Qual você acha que será a resposta da maioria?"

Eu não sei, mas a maioria sabe

Surpreendentemente, a resposta correta é aquela que as pessoas preveem que será a mais popular, relatam os pesquisadores.

De acordo com eles, essa técnica poderia aperfeiçoar os processos baseados na sabedoria das multidões, que são usados não apenas em eleições, mas também em previsões políticas e econômicas, em pesquisas realizadas por institutos especializados, bem como muitas outras atividades coletivas, desde a avaliação de objetos de arte até a classificação de propostas de pesquisa científica para ver qual receberá financiamento.

In crowd wisdom, the 'surprisingly popular' answer can trump ignorance of the masses
Será que a internet ajuda a democracia?. Além das bolhas de informação que isolam os usuários entre aqueles que pensam de forma parecida, os especialistas têm-se preocupado em como juntar liberdade de expressão, mídias sociais e verdade.
[Imagem: Juandavo/Wikimedia]

Na média de todos os tópicos, o algoritmo "surpreendentemente popular" reduziu os erros em 21,3% em comparação com a votação por maioria simples, e em 24,2% em comparação com uma ponderação em relação aos "votos confiáveis", nos quais as pessoas expressam a confiança que têm na resposta que estão dando.

Em questões mais prosaicas, como perguntas envolvendo os nomes das capitais dos estados, onde há muitas cidades que são maiores e mais conhecidas do que a capital verdadeira, o método reduziu as decisões incorretas em 48% em comparação com a maioria dos votos.

Adeus democracia?

A grande questão que emerge prontamente é se um algoritmo como esse não estaria jogando fora a democracia e passando as decisões para as mãos dos "especialistas".

Os pesquisadores afirmam que não, que o seu método ainda é democrático porque não há expectativa de quem teria informações especializadas, já que todos são consultados igualmente, sendo o seu fundamento o de que há uma informação "mais correta" que precisa ser adequadamente garimpada para que o resultado do processo seja o melhor possível.

"O método é elitista no sentido de que ele tenta identificar aquelas pessoas que possuem conhecimento especializado. No entanto, ele é democrático no sentido de que potencialmente qualquer pessoa poderia ser identificada como um especialista. O método não olha para o currículo ou os graus acadêmicos de ninguém," defende o pesquisador Sebastian Seung, um dos autores da técnica.


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