Sal no corpo humano: saber científico muda completamente

Saber científico sobre sal no corpo humano estava errado
A simulação de uma viagem a Marte durou 520 dias, período no qual os astronautas ficaram totalmente isolados, como se estivessem no espaço.
[Imagem: ESA]

Sódio no corpo humano

Apesar das extensas recomendações sobre dosar o consumo de sal, a verdade é que os cientistas ainda não compreendem bem o caminho do sódio no corpo humano.

Uma das dificuldades é que é muito difícil fazer estudos de longa duração com um controle rígido sobre o que as pessoas ingerem e como elas excretam o sal do corpo.

Recentemente, essa oportunidade surgiu com o experimento Mars500, uma simulação de uma viagem a Marte que foi realizada na Rússia.

Nesse experimento, oito candidatos a astronauta passaram 520 dias em um ambiente totalmente fechado, incluindo uma nave e ambientes que imitam o planeta Marte - tudo foi reproduzido como se os astronautas estivessem de fato isolados no espaço.

Era tudo o que o Dr. Jens Titze, da Universidade Vanderbilt (EUA), queria, já que ele sempre desconfiou da "verdade científica" impressa nos livros-texto, que afirmam que o sal que comemos é excretado rapidamente pela urina, de forma a manter níveis constantes de sódio no organismo.

Armazenamento de sódio no corpo

"Era muito claro para mim que o sódio devia ser armazenado no corpo, mas ninguém queria ouvir falar a respeito porque era algo muito diferente da visão dos livros-texto," conta Titze.

Isso agora foi demonstrado porque os candidatos a exploradores de Marte tiveram sua alimentação rigorosamente controlada, permitindo um acompanhamento preciso da quantidade de sal que eles ingeriam e que eles excretavam.

Mostrando que o verdadeiro progresso científico só se faz quando se duvida dos saberes estabelecidos por paradigmas anteriores, as suspeitas do Dr. Titze se confirmaram.

Os resultados mostraram que os níveis de sódio no corpo humano flutuam ritmicamente em dois ciclos distintos, o primeiro com sete dias, e o segundo com 30 dias.

Ou seja, contradizendo o saber estabelecido, os pesquisadores mostraram que o corpo possui mecanismos de armazenar o sódio.

Controle do sal e hipertensão

O estudo mostrou que quase 95% de todo o sal ingerido é excretado pela urina, mas não em uma base diária.

Em vez disso, com uma ingestão constante de sal, a excreção do sódio flutuou com um ritmo semanal, resultando em armazenamento de sódio no corpo, e em um ciclo mais longo, mensal.

Isso tem largas implicações para problemas comuns, como o controle da pressão arterial e da hipertensão, e todos os riscos cardiovasculares associados com a ingestão de sal.

Os níveis dos hormônios aldosterona (um regulador da excreção de sódio) e cortisol (sem papel conhecido na regulação do sódio no corpo) também flutuaram semanalmente.

Exames atuais não funcionam

O armazenamento de sódio no corpo no ciclo mensal não foi acompanhado de ganho de peso, o que dá indícios de que o armazenamento de sódio no corpo não é acompanhamento de um aumento na água armazenada no corpo.

Usando técnicas de ressonância magnética, os pesquisadores encontraram indícios de que o sódio é acumulado na pele e nos músculos.

Eles também levantaram a hipótese de que os genes relacionados ao ritmo circadiano, o chamado relógio biológico, estejam envolvidos no armazenamento e na liberação de sódio pelo corpo humano.

"Nossos resultados abrem verdadeiras avenidas inteiramente novas para mais pesquisas," concluiu Titze.

Outra consequência direta da descoberta é que a prática médica atual, que usa amostras de urina a cada 24 horas para determinar a ingestão de sal, não dá resultados precisos.

Além da diferença entre sal e sódio, é importante saber que não se deve ingerir sal demais... e nem de menos.


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