Saúde no Brasil é vista como mercadoria, diz pesquisador

Saúde capitalista

"O principal interesse das políticas públicas de saúde no Brasil é o lucro, ou seja, a saúde como mercadoria ou negócio."

A afirmação é do pesquisador Edward Meirelles de Oliveira, cujo estudo resultou em uma tese de doutoramento defendida junto à USP de Ribeirão Preto (SP).

Segundo o pesquisador, a predominância da ideia de saúde como mercadoria reduz o direito à saúde, principalmente para as famílias de baixa renda, pois o interesse não está na saúde da população e sim no lucro.

Para ele, os gestores nos diversos níveis da administração pública, e a própria população, não entendem a saúde como direito humano à vida. "Os problemas do SUS se originam da contradição e tensão entre a percepção de saúde como direito universal e de sua exploração como mercadoria, presentes na sociedade atual", resume o pesquisador.

Saúde à venda

Para Edward, a conexão da saúde com produtos vendáveis - medicamentos, produtos alimentícios, produtos de beleza -, causa uma profunda modificação de valores que, na prática, enfraquece o conceito de direito à saúde e de defesa do SUS como único sistema que pode garantir a saúde de todos.

"A saúde como mercadoria é um direito de consumidor, tem quem pode pagar, o interesse é individual. Já a saúde reconhecida como premissa existencial humana é direito de todos, o interesse é coletivo e somente nesta percepção as pessoas se mobilizarão contra a desestruturação do SUS," afirma.

Para ele, a saída é mudar o foco para as pessoas, que devem ser o interesse fundamental das políticas públicas de saúde. Isso fará com que aumente a participação social nos processos relacionados à saúde e, consequentemente, diminua a influência do complexo médico-empresarial na elaboração e produção das práticas de saúde.

"É preciso pensar em ações de fortalecimento do poder popular, o que implica a incorporação dos espaços de lutas já existentes e a construção de outros espaços coletivos, em um cenário onde os sujeitos possam construir a própria identidade a partir de suas necessidades e desejos coletivos", afirma.


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