Tecnologia brasileira de raios X digital diminui risco para paciente

Tecnologia brasileira de raios X digital
"A radiologia digital permite fazer quase uma microscopia com raios X por meio de imagens com resolução praticamente em nível molecular."
[Imagem: Agência Fapesp]

Um grupo de pesquisadores de várias instituições brasileiras desenvolveu o primeiro raio X digital com tecnologia nacional.

Voltado para aplicação em odontologia - por ser uma das áreas da saúde que mais demandam a utilização de raios X -, o equipamento possibilitará o desenvolvimento no Brasil dessa nova tecnologia, ainda dominada por poucos países, que está transformando o modo como a radiologia é feita no mundo.

O raio X digital está para o raio X comum, assim como uma câmera digital está para uma câmera que utilizava filmes.

"A radiologia digital está só começando. Sabemos que já há uma demanda enorme por essa tecnologia no Brasil e que as placas radiográficas utilizadas hoje para a realização de exames com raios X entrarão em desuso. Por isso, pretendemos auxiliar o sistema de saúde do país a realizar a substituição tecnológica", disse Vanderlei Bagnato, membro da equipe.

O trabalho está sendo desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), da USP (Universidade de São Paulo), do Instituto Atlântico, de Fortaleza (CE), e conta ainda com a parceria da indústria Gnatus.

Raio X digital

O aparelho lê e digitaliza imagens de raios X obtidas por meio de placas constituídas por sais de terras raras, entre outros materiais.

Quando os raios X incidem sobre essas placas, as cargas eletrônicas das moléculas das substâncias que compõem o material são excitadas e entram em um estado energético chamado metaestável (diferente de seu estado de equilíbrio).

Com a irradiação de laser por um scanner (como o desenvolvido pelos brasileiros) na placa exposta antes à radiação X, as moléculas da placa recebem mais um pouco de energia, atingindo uma condição que permite que voltem ao estado anterior e emitam uma determinada quantidade de luz azul de cada ponto do filme, proporcional à carga de raios X recebida - é essa luz que é utilizada para formar a imagem.

O scanner lê e encaminha quase em tempo real a imagem gerada pela placa para um monitor de alta resolução - semelhante aos utilizados em exames de ultrassonografia. Um software específico processa e gera a radiografia com altíssima resolução, que pode ser armazenada ou enviada pela internet.

Menos risco para o paciente

"A radiologia digital permite fazer quase uma microscopia com raios X por meio de imagens com resolução praticamente em nível molecular", disse Bagnato "Tudo depende de quão finamente conseguimos focalizar o laser de leitura."

Outra vantagem da tecnologia é diminuir os riscos à saúde dos pacientes e dos profissionais de saúde pela exposição à radiação, uma vez que a equipe pretende estudar formas de usar entre 50% e 80% menos raios X do que o método convencional, além de dispensar a utilização de produtos químicos, como os usados na radiologia tradicional para a revelação de filmes fotográficos.

A meta dos pesquisadores também é desenvolver nos próximos anos outras versões do equipamento voltadas para a radiografia em ortopedia e do tórax, por exemplo.


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