Ter acesso a alimentos saudáveis não diminui consumo de alimentos não-saudáveis

Ter acesso a alimentos saudáveis não diminui consumo de alimentos não-saudáveis
Um estudo recente mostrou que uma boa sinalização nos supermercados aumenta a compra de frutas e vegetais.
[Imagem: Journal of Nutrition Education and Behavior]

Hipótese do Deserto Alimentar

As pessoas compram a maior parte da comida não-saudável que ingerem - bebidas adoçadas, alimentos gordurosos e pobres em nutrientes - em supermercados e mercearias.

Se isso lhe parece um tanto óbvio, saiba que o governo dos EUA gastou quase US$ 500 milhões desde 2011 para melhorar o acesso a supermercados e mercearias em comunidades carentes, onde a incidência de obesidade é maior.

O programa surgiu depois que cientistas propuseram a chamada "Hipótese do Deserto Alimentar", que propõe que a falta de acesso a supermercados e mercearias em algumas comunidades agrava a crise de obesidade porque as pessoas não têm acesso a alimentos saudáveis.

Contudo, ao pesquisar diretamente essas comunidades, constatou-se que a grande maioria da chamada "comida porcaria" (junk food) é comprada nos supermercados.

"As compras de supermercado desses itens são cerca de duas a quatro vezes maiores do que todas as outras fontes - restaurantes de fast-food, restaurantes de serviço completo, lojas de conveniência, máquinas de venda e outros locais - combinados," disse o professor Ruopeng An, da Universidade de Illinois.

A culpa não é do supermercado

Os dados mostraram que quase metade (46,3%) dos adultos consome bebidas adoçadas com açúcar e 88,8% ingere alimentos discricionários, tais como biscoitos, bolos, sorvetes, tortas, pipoca e doces em um determinado dia.

Bebidas adoçadas acrescentam uma média de 213 calorias por dia à dieta, enquanto os alimentos discricionários adicionam, em média, 439 calorias por dia.

Assim, parece que os supermercados têm pouco envolvimento na decisão das pessoas em aderir a uma dieta saudável.

"É verdade que os supermercados também são a maior fonte de alimentos saudáveis," reconhece An. "Mas não podemos ser ingênuos e pensar que as pessoas só compram alimentos saudáveis nos supermercados. Eles também compram todo esse alimento-lixo nos supermercados e mercearias."


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